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Comprimido inédito reduz colesterol ruim em até 60% e abre nova era no tratamento

Lipfendra é o primeiro medicamento oral da classe dos inibidores de PCSK9 aprovado nos Estados Unidos; chegada ao Brasil ainda depende de autorização da Anvisa

Um novo medicamento em comprimido capaz de reduzir significativamente os níveis do chamado colesterol ruim pode representar uma importante mudança no tratamento da hipercolesterolemia. A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou o Lipfendra (enlicitide), considerado o primeiro inibidor oral da proteína PCSK9.

A aprovação ocorreu em julho de 2026 e contempla o uso do medicamento, associado a dieta e exercícios, para reduzir o LDL-C em adultos com hipercolesterolemia, incluindo pacientes com hipercolesterolemia familiar heterozigótica, condição genética que provoca níveis elevados de colesterol.

O principal diferencial está na forma de administração. Os medicamentos que atuam diretamente sobre a PCSK9 disponíveis anteriormente eram principalmente injetáveis. O enlicitide consegue atuar sobre o mesmo mecanismo biológico por meio de um comprimido administrado uma vez ao dia.

Redução do LDL chega perto de 60%

Os resultados que fundamentaram a aprovação chamaram atenção pela capacidade de redução do LDL. No estudo de fase 3 CORALreef Lipids, o medicamento proporcionou redução de 56% do LDL-C em comparação com placebo após 24 semanas. Já no estudo CORALreef HeFH, realizado com pacientes com hipercolesterolemia familiar heterozigótica, a redução ajustada foi de 59%.

Uma análise específica do CORALreef Lipids chegou a apontar redução de aproximadamente 60% em relação aos níveis iniciais, após aplicação de critérios revisados para tratamento dos dados.

Além disso, outro estudo de fase 3 comparando o enlicitide com tratamentos orais não baseados em estatinas registrou redução de 64,6% do LDL-C em relação ao nível inicial após oito semanas, quando o medicamento foi acrescentado ao tratamento com estatina.

Segurança e efeitos colaterais

Os estudos indicaram perfil de segurança considerado geralmente semelhante ao observado no grupo placebo. Em pacientes com hipercolesterolemia familiar heterozigótica, alguns eventos, como diarreia e tontura, foram registrados com maior frequência entre aqueles que receberam enlicitide.

Apesar dos resultados expressivos na redução do colesterol, ainda é necessário estabelecer de forma definitiva o impacto do medicamento na redução de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC. Um estudo específico de desfechos cardiovasculares faz parte do programa clínico do enlicitide.

E no Brasil?

A aprovação anunciada refere-se aos Estados Unidos. Portanto, o medicamento não deve ser tratado como uma nova opção já disponível aos pacientes brasileiros. Sua eventual comercialização no país dependerá dos procedimentos regulatórios necessários e de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Caso seja futuramente aprovado no Brasil, o comprimido poderá ampliar as alternativas para pacientes que precisam de reduções expressivas do LDL, principalmente aqueles que permanecem acima das metas mesmo utilizando outros medicamentos.

O colesterol LDL elevado está diretamente relacionado ao desenvolvimento da aterosclerose e ao aumento do risco cardiovascular. Por isso, medicamentos capazes de produzir reduções significativas podem ter papel importante em pacientes selecionados, sempre mediante avaliação e prescrição médica.

Da redação Mídia News

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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