
O Banco Central (BC) avançou nos estudos para ampliar o alcance do Pix e avalia conectar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos a plataformas semelhantes existentes em outros países. A iniciativa poderia permitir, no futuro, transferências internacionais mais rápidas, baratas e transparentes, embora ainda não exista prazo oficial para a implantação de uma integração internacional ampla.
Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (10), o BC passou a tratar de maneira mais concreta a possibilidade de interligação entre sistemas de pagamentos instantâneos. Entre as alternativas analisadas estão conexões bilaterais entre países e a participação do Brasil em plataformas multilaterais capazes de conectar diferentes redes nacionais.
De acordo com o Banco Central, a integração pode reduzir custos, acelerar operações financeiras internacionais, ampliar o acesso aos serviços e aumentar a transparência das transferências entre países. O BC já mantém acordos para compartilhamento de informações sobre o Pix com autoridades de 65 países, incluindo Alemanha, Canadá, África do Sul e Turquia.
A discussão não significa, porém, que já exista um “Pix internacional” operado diretamente pelo Banco Central. Atualmente, algumas empresas e instituições financeiras oferecem pagamentos no exterior utilizando o Pix como instrumento inicial da operação, mas essas soluções dependem de intermediários responsáveis pelo câmbio e pela liquidação da transação.
Outra frente estudada pelo BC é o chamado Pix em Garantia. A funcionalidade foi concebida para permitir que recebíveis futuros realizados por Pix sejam utilizados como garantia em operações de crédito, especialmente por empresas. O objetivo é facilitar a concessão de empréstimos e possibilitar melhores condições de financiamento. O próprio Banco Central já havia informado que a ferramenta exigiria uma infraestrutura mais complexa para ser implantada.
Segurança também está na agenda
Ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de utilização do sistema, o Banco Central mantém ações para combater golpes e fraudes. Entre os mecanismos existentes está o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado para aumentar as chances de recuperação de valores transferidos fraudulentamente.
O BC também vem adotando regras mais rígidas para identificação de operações suspeitas, cadastramento de dispositivos e participação das instituições no sistema. O objetivo é dificultar a movimentação de recursos obtidos por golpes e aumentar a capacidade de rastreamento das transações.
Criado pelo Banco Central e lançado em novembro de 2020, o Pix se tornou o principal meio eletrônico de pagamento do país. Em 2025, foram registradas quase 80 bilhões de transações, crescimento de 25,7% sobre o ano anterior, movimentando mais de R$ 35 trilhões. Os pagamentos de consumidores para empresas responderam por 43% das operações realizadas no período.
A possível conexão com redes estrangeiras representa uma nova etapa de expansão da infraestrutura brasileira, mas sua implantação dependerá de acordos técnicos, regulatórios, cambiais e de segurança entre o Brasil e os países participantes.
Da redação Mídia News





