
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e integrantes da cúpula da autoridade monetária teriam incentivado a conclusão da operação envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB). A declaração foi prestada em depoimento realizado no dia 28 de agosto de 2026.
Vorcaro foi ouvido por videoconferência enquanto estava preso na Papudinha, instalação do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. O depoimento foi prestado ao delegado Albert Paulo Sérvio de Moura e integra as investigações relacionadas ao Banco Master.
Vorcaro aponta apoio da cúpula do BC
Durante a oitiva, o ex-banqueiro foi questionado sobre a posição de integrantes do Banco Central nas negociações. Na resposta, afirmou que não se tratava apenas da atuação de um servidor, mas de uma posição que, segundo sua versão, alcançava a direção da instituição.
Vorcaro citou nominalmente Galípolo, o diretor Ailton Aquino e Paulo Sérgio Neves de Souza. Segundo ele, a postura do Banco Central era de “concordância e incentivo à conclusão da fusão”.
O ex-controlador acrescentou que, depois da formalização do pedido, as reuniões realizadas com integrantes da autoridade monetária teriam sido direcionadas à tentativa de solucionar pendências para permitir a aprovação da operação.
As declarações são a versão apresentada por Vorcaro aos investigadores e, isoladamente, não comprovam que Galípolo ou a direção do Banco Central tenham efetivamente incentivado a operação nos termos descritos pelo ex-banqueiro.
Banco Central acabou rejeitando operação
Apesar do relato de Vorcaro sobre uma suposta postura favorável durante as negociações, o Banco Central acabou rejeitando a operação entre Master e BRB. O negócio havia sido discutido durante meses antes da decisão definitiva da autoridade monetária.
Antes disso, o BRB realizou operações bilionárias com carteiras de crédito do Master. As investigações sobre essas transações se tornaram um dos principais eixos do caso envolvendo as duas instituições financeiras.
A Polícia Federal também apura a atuação de ex-servidores do Banco Central suspeitos de favorecer o Master. Segundo a CNN Brasil, os investigadores questionaram Vorcaro sobre a possibilidade de ter recebido informações privilegiadas de dentro da autoridade monetária, o que ele negou.
Galípolo já defendeu atuação do Banco Central
Em audiência no Senado realizada em maio, Galípolo defendeu a atuação do Banco Central no caso Master. Ele afirmou que a instituição abriu auditoria e sindicância, afastou dois servidores suspeitos e passou a colaborar com o Ministério Público e a Polícia Federal nas investigações.
O depoimento de Vorcaro acrescenta agora um novo elemento à investigação ao atribuir diretamente ao presidente e a integrantes da cúpula do BC uma postura inicialmente favorável à operação com o BRB. A afirmação deverá ser confrontada com documentos, registros de reuniões e depoimentos dos demais envolvidos.
Da redação Mídia News Campo Grande





