
O Irã avançou nas negociações para integrar o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, instituição multilateral atualmente presidida pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff. A movimentação ocorre em meio às sanções internacionais que atingem Teerã e amplia o debate sobre a expansão da instituição financeira para países que enfrentam restrições impostas principalmente pelos Estados Unidos.
O governador do Banco Central iraniano, Abdolnasser Hemmati, afirmou nesta semana que o país deverá ingressar “em breve” no NDB. A declaração foi feita durante as reuniões de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do Brics, realizadas em Jaipur, na Índia, nos dias 12 e 13 de agosto.
Apesar da afirmação iraniana, a entrada ainda não aparece como formalmente concluída. Segundo a Reuters, a área de comunicação do Novo Banco de Desenvolvimento não confirmou a adesão do Irã no momento da publicação da reportagem. A lista oficial de membros do NDB também não apresenta atualmente o país entre seus integrantes.
As conversas, entretanto, estão em andamento. Hemmati se reuniu com Dilma Rousseff durante a agenda na Índia. De acordo com informações divulgadas pela imprensa iraniana, os dois discutiram a continuidade das consultas técnicas para a eventual entrada do país no banco e o acesso às ferramentas de financiamento oferecidas pela instituição.
O Irã já integra o Brics desde 2024, mas fazer parte do bloco político e econômico não significa automaticamente integrar o NDB. O banco possui estrutura própria de adesão e governança. Pelas regras da instituição, a participação está aberta a países membros das Nações Unidas.
A aproximação ocorre em um contexto geopolítico delicado. O Irã enfrenta sanções dos Estados Unidos e outras restrições internacionais, enquanto busca ampliar operações financeiras em moedas nacionais e reduzir sua dependência do sistema financeiro baseado no dólar. Hemmati também defendeu maior integração dos sistemas de pagamentos entre os integrantes do Brics.
Criado em 2015 por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o NDB tem como objetivo financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. A expansão de sua base de integrantes faz parte da estratégia da instituição, que já incorporou novos países além dos cinco fundadores.
A eventual adesão iraniana, portanto, representa mais do que uma simples ampliação do banco: poderá colocar o NDB diante de novos desafios relacionados a sanções, operações financeiras internacionais e às relações do Brics com as economias ocidentais. Até o momento, porém, é mais preciso tratar o caso como uma negociação em andamento, e não como uma adesão já concluída.
Da redação Mídia News





