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Documentos da PF usados por Moraes contra Mendonça não têm data, assinatura nem valor probatório

Relatórios de inteligência citados por Alexandre de Moraes para pedir apuração contra André Mendonça trazem ressalvas da própria PF e um deles apresenta “confiança agregada baixa”

Os relatórios de inteligência da Polícia Federal utilizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para sustentar acusações contra o ministro André Mendonça apresentam ressalvas relevantes sobre sua natureza e finalidade. Os documentos não possuem data de elaboração nem assinatura dos responsáveis e são classificados pela própria PF como materiais “sem valor probatório”.

Moraes utilizou quatro relatórios de inteligência ao afirmar que existiriam “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça. O material foi encaminhado no contexto da crise envolvendo investigações relacionadas ao Banco Master e à Operação Sem Desconto.

Entretanto, os próprios documentos estabelecem limites para a utilização das informações neles reunidas. Segundo reportagens que tiveram acesso ao conteúdo, os relatórios são descritos como análises de inteligência destinadas a subsidiar avaliações internas em cenários de informações incompletas, e não como peças de instrução processual.

Relatórios trazem ressalvas da própria PF

Os quatro documentos mencionados por Moraes contêm a indicação de que não possuem valor probatório. Um deles registra ainda “confiança agregada baixa”, classificação que sinaliza grau reduzido de certeza sobre parte das informações analisadas.

Segundo a CNN Brasil, os relatórios não apresentam assinatura nem data. A reportagem informa ainda que a expressão relacionada a informações de “baixa confiança” aparece 24 vezes nos materiais analisados. Os próprios documentos diferenciam fatos documentados, informações ainda não formalizadas e avaliações produzidas pelos analistas.

O relatório citado por Moraes também afirma que avaliações dos analistas não devem ser automaticamente tratadas como fatos e que hipóteses de baixa confiança podem servir para orientar coleta de informações e monitoramento, mas não necessariamente para sustentar conclusões institucionais.

Material não foi produzido como prova

O Poder360 informou que um dos relatórios é identificado logo na primeira página como “documento de trabalho – sem valor probatório”. A publicação destaca também a ausência de data de elaboração e de código que identifique o analista responsável.

A CNN Brasil acrescenta que integrantes da PF consideram normal que determinados relatórios de inteligência não sejam assinados, devido à natureza desse tipo de trabalho. Policiais ouvidos pelo veículo, contudo, afirmaram ser incomum a utilização desse tipo de material como prova para fundamentar uma decisão judicial.

Os documentos teriam sido requisitados por Moraes à Polícia Federal em 1º de setembro, depois de Mendonça retirar o sigilo de relatório que revelou mensagens relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a CNN, a decisão de Moraes registra que os materiais já estavam no sistema da PF quando foram solicitados.

Fachin assume análise do caso

Nesta sexta-feira (4), o presidente do STF, Edson Fachin, retirou o pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das fake news e determinou que a questão fosse tratada no procedimento sob responsabilidade da Presidência do Supremo.

Fachin também concedeu prazo para manifestações sobre as acusações e os documentos envolvidos na crise. A decisão coloca sob análise da Presidência do STF tanto os questionamentos envolvendo Mendonça quanto os desdobramentos relacionados aos relatórios e às informações reveladas no caso Banco Master.

Da redação Mídia News Campo Grande

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