Produtora de Dark Horse relata pressão por delação contra Flávio Bolsonaro — mas para que fim?
Karina Gama afirma que foi procurada por diferentes interlocutores para avaliar colaboração premiada e diz temer consequências caso recusasse; documento não comprova participação de Lula ou de integrantes do governo

A produtora Karina Gama, responsável pela Go Up Entertainment e pelo filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou em documento encontrado pela Polícia Federal que sofreu pressões para considerar um acordo de colaboração premiada envolvendo Flávio Bolsonaro.
A declaração, assinada pela empresária e datada de 4 de setembro, foi localizada durante operação da Polícia Federal. No relato, Karina menciona contatos realizados por três pessoas em momentos diferentes e afirma que as abordagens teriam convergido para a possibilidade de uma delação.
Contatos relatados pela produtora
Entre os nomes citados está o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney. Segundo Karina, ele teria oferecido apoio jurídico e mencionado possuir proximidade com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
A própria empresária, entretanto, ressalta no documento que a referência à proximidade partiu de Fernando Sarney e que ela não possui elementos para afirmar que Dino tivesse conhecimento ou participação na conversa.
Outro contato teria partido de um pastor conhecido da produtora. Conforme o relato, ele teria mencionado proximidade com integrantes do Governo Federal e ministros do STF e apresentado a colaboração premiada como uma possibilidade para evitar futuras “complicações”.
Karina também cita uma conversa com um jornalista que, segundo ela, teria afirmado que a produtora estaria servindo de “bucha de canhão para o candidato”, em aparente referência a Flávio Bolsonaro.
Qual seria o objetivo?
Pelo relato apresentado pela empresária, a finalidade das abordagens seria convencê-la a fornecer informações em uma eventual colaboração premiada relacionada às investigações que alcançam a produção de Dark Horse e pessoas ligadas ao projeto.
Karina afirma, porém, que não teria informações relevantes para delatar e sustenta não ter cometido irregularidades. Ela diz ainda ter interpretado a sequência dos contatos como possível pressão para que aceitasse colaborar.
O documento, por si só, não comprova que o presidente Lula, o ministro Flávio Dino ou integrantes do Governo Federal tenham ordenado ou participado das supostas pressões. Trata-se, até o momento, do relato da produtora, cujas circunstâncias poderão ser verificadas pelas autoridades.
O episódio ganha peso político porque a investigação sobre Dark Horse ocorre durante a campanha presidencial e envolve apurações sobre recursos destinados a entidades relacionadas à produtora. A PF investiga, entre outros pontos, possível desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares.
A existência do documento acrescenta agora uma nova frente ao caso: saber quem procurou Karina, em nome de quem essas pessoas eventualmente agiam e se houve apenas tentativa de convencimento para uma colaboração ou alguma forma irregular de pressão sobre a investigada.
Da redação Mídia News Campo Grande





