Em 2022 Lula acusou Bolsonaro de “comprar o povo”; agora assina reajuste do Bolsa Família
Presidente reajusta benefício em 15,04% às vésperas das eleições de 2026; há quatro anos, Lula classificou medidas sociais adotadas pelo governo Bolsonaro como tentativa eleitoral de “comprar o povo”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quinta-feira (17) o decreto que reajusta em 15,04% os valores do Bolsa Família. A decisão ocorre na reta final da campanha eleitoral de 2026 e resgata uma discussão que marcou a eleição presidencial de 2022: até que ponto mudanças em programas sociais próximas das urnas podem ser questionadas politicamente ou juridicamente.
O Decreto nº 13.120 eleva o valor mínimo garantido às famílias de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio estimado passa de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores entram na folha de outubro e estarão disponíveis aos beneficiários a partir do dia 19.
O que Lula dizia em 2022
A controvérsia ganha dimensão política por causa das declarações feitas pelo próprio Lula durante a campanha presidencial de 2022.
Naquele ano, o governo Jair Bolsonaro elevou temporariamente o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, além de ampliar outros benefícios por meio da chamada PEC dos Benefícios.
Em entrevista concedida em 1º de julho de 2022, Lula classificou a iniciativa como eleitoral e afirmou que Bolsonaro tentava “comprar o povo”. Apesar da crítica ao momento e à estratégia do governo, Lula também dizia que a população deveria receber o dinheiro.
A declaração voltou ao debate público agora porque o próprio governo Lula promove um reajuste do principal programa de transferência de renda em período próximo à eleição.
Governo diz que reajuste apenas repõe inflação
Apesar da semelhança política apontada pelos adversários, existem diferenças entre as duas medidas.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o reajuste de 15,04% corresponde à inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. O governo sustenta que se trata de uma recomposição do poder de compra, prevista na legislação do Bolsa Família.
Além do piso de R$ 691, o Benefício de Renda de Cidadania passa de R$ 142 para R$ 164 por integrante. O Benefício Primeira Infância sobe de R$ 150 para R$ 173 e o Benefício Variável Familiar passa de R$ 50 para R$ 58.
STF vê diferença entre 2022 e 2026
Nesta sexta-feira (18), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou regular o reajuste de 15,04% e afirmou que a utilização do INPC como referência não viola as restrições da legislação eleitoral.
Na decisão, Gilmar diferenciou a medida atual daquela adotada em 2022. Segundo o ministro, naquele ano houve ampliação temporária de benefícios, criação de novas prestações e aumento do número de famílias atendidas, com medidas concentradas entre agosto e dezembro do ano eleitoral. No caso de 2026, o entendimento é de que houve correção monetária de benefícios já existentes.
O episódio, portanto, estabelece uma comparação política entre o discurso adotado por Lula em 2022 e a decisão tomada por seu governo quatro anos depois, embora as duas iniciativas tenham características jurídicas e orçamentárias diferentes.
Da redação Mídia News Campo Grande





