
A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou o custo de vida no centro de sua propaganda eleitoral nesta quinta-feira (17), recorrendo novamente à comparação com o governo de Jair Bolsonaro (PL) para explicar a situação dos preços dos alimentos.
A estratégia ocorre na reta final do primeiro turno das eleições de 2026 e procura responder às críticas dos adversários sobre o impacto dos preços no orçamento das famílias. No programa, a campanha petista argumentou que decisões tomadas durante a administração anterior contribuíram para a perda do poder de compra e que a recuperação econômica demanda tempo.
A abordagem também evidencia uma disputa de narrativas. Enquanto adversários procuram responsabilizar o atual governo pelo custo dos produtos encontrados hoje nos supermercados, a campanha de Lula compara indicadores econômicos de sua gestão com os registrados durante o mandato de Bolsonaro.
Inflação desacelerou, mas preços continuam no debate
Os indicadores oficiais mostram um cenário que exige distinção entre inflação e nível de preços. Em julho de 2026, o IPCA acumulava alta de 4,44% em 12 meses. No grupo alimentação e bebidas, a inflação acumulada no mesmo período estava em 3,40%, enquanto alimentação no domicílio registrava 2,57%.
Isso significa que o ritmo de aumento dos preços desacelerou, mas não significa necessariamente que os produtos retornaram aos valores praticados anos atrás. A diferença ajuda a explicar por que o custo de vida continua ocupando espaço relevante na campanha eleitoral.
A própria campanha de Lula reconheceu recentemente que os alimentos ainda estão caros, ao mesmo tempo em que sustenta que o poder de compra melhorou em relação ao período Bolsonaro.
MEI entra na propaganda eleitoral
Outro ponto apresentado no programa foi a proposta de elevar para R$ 140 mil o limite anual de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI).
A medida, entretanto, não surgiu agora durante a campanha.
O Projeto de Lei Complementar 186/2026 foi apresentado pelo Poder Executivo à Câmara dos Deputados em 29 de junho. A proposta altera a Lei Complementar nº 123 para tratar do limite de receita bruta anual e do número de empregados do MEI.
Assim, o aumento do teto passou a integrar a plataforma eleitoral de Lula enquanto simultaneamente tramita como iniciativa legislativa apresentada pelo próprio governo.
Campanha concentra discurso no bolso do eleitor
A mudança de comunicação ocorre depois de integrantes da própria base governista apontarem necessidade de maior atenção a temas diretamente relacionados ao cotidiano da população.
Segundo a CNN Brasil, estrategistas da campanha decidiram reforçar assuntos como alimentos, renda e poder de compra. A estratégia também responde à ofensiva de Flávio Bolsonaro (PL), que passou a utilizar visitas a supermercados para criticar o custo de vida durante o atual governo.
Com menos de três semanas para o primeiro turno, a economia tende a permanecer como um dos principais campos de confronto entre as campanhas. O horário eleitoral gratuito do primeiro turno segue até 1º de outubro, conforme o calendário definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Da redação Mídia News Campo Grande





