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Campanha de Flávio aponta perfil Dilma Bolada como origem de boato sobre Nossa Senhora Aparecida

Monitoramento da equipe do candidato identifica publicação de Jeferson Monteiro como primeiro registro rastreado; criador do perfil nega ter iniciado informação falsa

O perfil “Dilma Bolada”, criado pelo publicitário Jeferson de Oliveira Monteiro, foi apontado por um monitoramento realizado pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) como o primeiro perfil identificado na circulação do boato que associou o candidato à retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

De acordo com o levantamento da campanha, a primeira publicação rastreada foi feita por Jeferson às 21h50 de quarta-feira (23). Na mensagem, ele relacionava o voto de católicos a candidatos que pretendessem retirar o título de Nossa Senhora Aparecida e mencionava os Bolsonaro.

A conclusão de que o perfil teria iniciado a circulação da informação é da equipe de Flávio Bolsonaro. Jeferson Monteiro, por sua vez, negou ser autor da fake news e afirmou à Folha de S.Paulo que sua postagem não dizia que Flávio pretendia retirar o título da santa, classificando essa interpretação como tentativa de construir uma narrativa.

Boato ganhou força nas redes sociais

Segundo a cronologia apresentada pelo monitoramento da campanha, poucos minutos depois da publicação de Jeferson surgiu outra postagem afirmando que representantes de grupos evangélicos fariam pressão para retirar de Nossa Senhora Aparecida o posto de padroeira do Brasil.

O assunto ganhou maior repercussão no dia seguinte, quando a GloboNews exibiu comentário sobre uma suposta mobilização de evangélicos envolvendo o título da padroeira.

Posteriormente, a emissora reconheceu o erro e apresentou uma retratação.

Não há evidências de que Flávio Bolsonaro tenha apresentado, apoiado ou articulado proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Projeto citado é de 2007

A controvérsia também recuperou um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli. A proposta pretendia modificar dispositivo legal relacionado a Nossa Senhora Aparecida, mas foi arquivada em 2008.

O projeto não foi apresentado por Flávio Bolsonaro e não há indicação de participação dele na proposta.

Com a repercussão eleitoral do episódio, o caso chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro André Mendonça determinou a remoção de publicações que atribuíssem a Flávio Bolsonaro ou à sua família a autoria, apoio ou articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de padroeira.

Origem é contestada

Embora o monitoramento da campanha de Flávio aponte a publicação de Jeferson Monteiro como o primeiro registro encontrado, a autoria da campanha de desinformação é contestada pelo próprio publicitário.

Por isso, o levantamento permite estabelecer uma cronologia das publicações identificadas pela equipe do candidato, mas não comprova, isoladamente, eventual coordenação entre os diferentes perfis que posteriormente difundiram o conteúdo.

O episódio ganhou grande alcance nas redes sociais e entrou na disputa eleitoral após sucessivas publicações relacionando Flávio Bolsonaro ao tema religioso.

Da redação Midia News Campo Grande

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