
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teriam comemorado a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um almoço reservado em Brasília. A informação foi divulgada neste sábado (31), em reportagem sobre os bastidores políticos após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Segundo o relato, os dois mantêm uma rotina de encontros semanais na capital federal. A vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no último domingo (25), teria sido recebida favoravelmente por ambos, diante das consequências políticas para o Congresso Nacional e o Judiciário.
O resultado eleitoral fortalece as articulações de Alcolumbre para permanecer na presidência do Senado e modifica o cenário das pressões da oposição pelo impeachment de Alexandre de Moraes.
Disputa pela presidência do Senado continua aberta
Alcolumbre trabalha para conquistar os votos necessários à recondução ao comando da Casa em fevereiro de 2027. Nas articulações políticas, o senador calcula possuir pelo menos 43 apoios, podendo alcançar 48 votos.
Entretanto, a disputa permanece indefinida. O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, articula uma candidatura de oposição e também afirma contar com aproximadamente 48 votos.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) aparece entre os nomes interessados na presidência do Senado, embora União Brasil e Progressistas tenham anunciado apoio à permanência de Alcolumbre.
Com uma bancada de 29 senadores na próxima legislatura, o Partido Liberal pretende ampliar sua influência sobre as decisões do Congresso, especialmente nas questões relacionadas ao Supremo Tribunal Federal.
Impeachment de Moraes depende de decisões no Senado
A permanência de Alcolumbre no comando do Senado é considerada um fator importante nas discussões envolvendo pedidos de impeachment contra ministros do STF.
Pelas regras constitucionais, cabe ao Senado processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade, observados os procedimentos legais.
O presidente da Casa exerce papel relevante no encaminhamento inicial dessas representações.
Alcolumbre tem resistido à abertura de processos contra integrantes do Supremo, enquanto parlamentares da oposição defendem que os pedidos sejam analisados.
Nesse contexto, a reeleição de Lula é interpretada como um fator que reduz a possibilidade de uma articulação conjunta entre um governo bolsonarista e setores do Senado favoráveis ao afastamento de Moraes.
Isso, entretanto, não significa que os pedidos existentes tenham sido arquivados ou que a possibilidade constitucional de impeachment tenha deixado de existir.
Anistia a Bolsonaro entra nas negociações políticas
Outro assunto presente nas articulações é a possibilidade de uma medida que beneficie o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo relatos de bastidores, Alcolumbre considera discutir com Lula alternativas envolvendo indulto ou anistia, buscando ampliar o apoio de parlamentares da direita à sua recondução.
A eventual negociação enfrenta resistência entre integrantes da oposição, que consideram insuficiente uma medida isolada para justificar apoio ao atual presidente do Senado.
Também está em discussão a chamada Lei da Dosimetria, relacionada à redução de penas de condenados pelos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.
Alexandre de Moraes é relator de ações que questionam a constitucionalidade da legislação e suspendeu sua aplicação nos processos sob sua responsabilidade até uma definição do Supremo.
Relação entre Alcolumbre e Moraes ganhou força ao longo do ano
A aproximação política e institucional entre o presidente do Senado e o ministro do STF não começou após as eleições.
Durante 2026, ambos participaram de encontros envolvendo integrantes do governo federal, do Congresso Nacional e do Judiciário.
Em agosto, Moraes recebeu Lula e Alcolumbre em sua residência, em Brasília, em uma reunião que também contou com a participação do ministro Cristiano Zanin.
O encontro ocorreu em um período de reaproximação entre o Palácio do Planalto e a presidência do Senado, depois de divergências relacionadas à indicação de Jorge Messias ao Supremo.
As relações institucionais ganharam importância diante das disputas políticas envolvendo investigações, decisões judiciais e pedidos de impeachment apresentados por parlamentares.
Vitória de Lula modifica cenário político para 2027
Na segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno, Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), estiveram no Palácio da Alvorada para cumprimentar Lula pela reeleição.
Na ocasião, os dirigentes do Congresso reafirmaram a disposição de manter o diálogo institucional com o Poder Executivo.
O novo cenário político coloca a eleição para a presidência do Senado entre as principais disputas do início de 2027.
Para a oposição, a escolha do próximo presidente da Casa representa uma oportunidade de modificar a condução dos pedidos de impeachment contra ministros do STF.
Já Alcolumbre procura consolidar apoios de diferentes partidos para garantir sua permanência no cargo.
Embora a reportagem sobre o almoço reservado aponte uma comemoração conjunta da vitória de Lula, não há confirmação pública independente das manifestações atribuídas aos dois participantes.
A definição sobre o comando do Senado dependerá da votação dos parlamentares, enquanto eventuais processos contra ministros do Supremo continuarão sujeitos às exigências constitucionais e legais.
Da redação Mídia News Campo Grande




