
Desjejum na praça de alimentação da simbiose pantaneira do gado com araras azuis.
Desde que as primeiras cabeças de bovinos e equinos adentraram o Pantanal, pelos idos de 1560, esparramadas pelos guiacurus, houve a integração e evolução simbiótica do comportamento social de ambas as espécies.
Araras não descem ao perigoso chão dos capões de Acuri e o gado se agrega a noite para ruminar e descansar, trazendo para o limpo estratégico das suas malhadas os cocos de acuri, bocaiúva, cedro d’água, morcegueiro, pateiro e o fabuloso cumbarú, frutos com polpa e as nozes protegidas.
Os resíduos da polpa ruminada, grudadas nos cocos facilitam o trabalho das araras e o acurizal passou a acompanhar os rodeios e malhadas do gado escolhidos para não permitir a aproximação de predadores e as araras se tornaram sócias desse Clube de Sobrevivência, atuando dia e noite como sentinelas.
É obviamente impossível falar de mais de 2 milhões de cabeças de gado na Planície Pantaneira sem estendermos tal abundância natural a pelo menos uma 100.000 araras azuis, a interagir em seus cochos de sal, bebedouros, rodeios e malhadas.
A sintonia e simbiose da criação de gado pantaneiro com as araras azuis é uma realidade de sobrevivência que se impõe sobre sofismas ideológicos eivados de premissas e argumentos autoritários.
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Armando Arruda Lacerda
Fazenda São Luiz
