
O economista e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga voltou a manifestar preocupação com os rumos da economia brasileira e afirmou que o país corre risco de enfrentar uma recessão em 2027. Em entrevista ao SBT News, concedida em 6 de agosto, ele citou o comportamento do mercado de crédito e o crescimento do endividamento como alguns dos principais sinais de alerta.
Fraga, que comandou o Banco Central entre 1999 e 2003, avalia que a situação fiscal brasileira representa um dos principais desafios para os próximos anos. Segundo o economista, famílias, empresas e o próprio setor público convivem com níveis elevados de dívida, enquanto os juros altos tornam o processo de financiamento e renegociação mais difícil.
Ao analisar o cenário, o ex-presidente do BC traçou um paralelo com a forte crise econômica registrada durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Na entrevista ao SBT News, Fraga afirmou que uma recessão poderia apresentar características semelhantes às observadas naquele período, embora tenha ressaltado que se trata de um risco, e não de uma previsão inevitável.
O Brasil atravessou uma recessão profunda em 2015 e 2016, período marcado por retração da atividade econômica, aumento do desemprego, deterioração das contas públicas e forte instabilidade política.
Antes da entrevista ao SBT, Armínio Fraga já havia feito avaliação semelhante em entrevista à revista Veja, publicada em julho. Na ocasião, classificou o quadro fiscal como preocupante e afirmou que o mercado de crédito apresentava sinais que historicamente podem anteceder períodos recessivos.
Apesar do alerta, a entrada do Brasil em recessão em 2027 não é um fato consumado. O desempenho da economia dependerá de fatores como política fiscal, comportamento dos juros e da inflação, condições do mercado de crédito, investimentos, consumo das famílias e cenário internacional.
As declarações de Fraga, portanto, representam uma avaliação de risco feita pelo economista. O ponto central de sua análise é que, sem melhora das condições fiscais e financeiras, a combinação de endividamento elevado e crédito mais restritivo poderá aumentar a possibilidade de contração da atividade econômica no próximo ano.
Da redação Mídia News


