
O governo Lula chega a 2026 sob forte pressão fiscal, em meio ao crescimento das despesas obrigatórias e à dificuldade de equilibrar o Orçamento sem ampliar a carga sobre a população. Embora o Governo Central tenha registrado superávit primário de R$ 25,2 bilhões em abril, o próprio Tesouro Nacional informou que as despesas acumuladas no ano somaram R$ 862,3 bilhões, com alta real de 14,2%, puxadas principalmente por precatórios e gastos obrigatórios.
O problema central está no avanço de despesas que não podem ser facilmente cortadas, como Previdência, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Bolsa Família, abonos, sentenças judiciais e outros compromissos permanentes. Segundo a Instituição Fiscal Independente do Senado, o Executivo projeta economizar R$ 55,4 bilhões em despesas obrigatórias entre 2026 e 2029, sinal de que o próprio governo reconhece a necessidade de revisão dos gastos.
Apesar do resultado positivo em abril, o quadro fiscal ainda inspira cautela. Dados do Tesouro mostram que o Governo Central acumulava, em 12 meses até abril de 2026, déficit primário de R$ 130,6 bilhões, equivalente a 0,97% do PIB.
Na prática, quando o gasto cresce acima da capacidade de arrecadação, a conta tende a chegar ao cidadão por diferentes caminhos: aumento de impostos, redução de investimentos, inflação de serviços públicos, juros elevados e menor espaço para infraestrutura, saúde, segurança e educação.
A expansão de benefícios sociais pode ter impacto importante na proteção de famílias vulneráveis, mas, sem controle fiscal, também amplia a dependência de novas receitas. O desafio é separar política social eficiente de gasto permanente sem fonte segura de financiamento.
O risco é que a conta, hoje apresentada em bilhões nos relatórios oficiais, apareça amanhã no bolso do trabalhador, do empresário e do consumidor brasileiro.
Da redação Mídia News





