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Cemitérios de Campo Grande preservam histórias e memórias de gerações

Da antiga área de sepultamentos onde hoje está a Praça Ary Coelho aos cemitérios Santo Antônio, Santo Amaro e São Sebastião, espaços revelam a transformação da Capital ao longo de mais de um século

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Muito antes de se tornar um dos principais pontos de encontro de Campo Grande, a Praça Ary Coelho foi cenário de despedidas. No século XIX, quando a cidade ainda era conhecida como Arraial de Santo Antônio, o local abrigava o primeiro cemitério do povoado.

Com o crescimento da população e a reorganização do espaço urbano, os sepultamentos foram transferidos para outras regiões. A antiga área funerária deu lugar a uma praça pública, mas permaneceu como parte importante da memória histórica da Capital.

Neste Dia de Finados, segunda-feira (2 de novembro), a trajetória dos cemitérios públicos Santo Antônio, Santo Amaro e São Sebastião, conhecido como Cruzeiro, revela como esses espaços acompanharam o desenvolvimento de Campo Grande e preservam lembranças de diferentes gerações.

Dos primeiros sepultamentos à Praça Ary Coelho

A história dos cemitérios de Campo Grande começou na década de 1870, quando o povoado se desenvolvia nas proximidades dos córregos Prosa e Segredo.

Na época, era comum que os locais de sepultamento fossem instalados próximos às igrejas e às primeiras moradias. O terreno onde atualmente está a Praça Ary Coelho cumpria essa função.

Com a expansão da comunidade, a proximidade entre o cemitério e as residências passou a representar uma preocupação. Os sepultamentos foram então transferidos para uma área mais afastada, onde hoje estão localizadas a Casa da Indústria e unidades do SESI, no bairro Amambaí.

Uma nova mudança ocorreu entre 1913 e 1914, quando o cemitério foi transferido para a região da antiga Fazenda Bandeira, atual endereço do Cemitério Santo Antônio, na Avenida da Consolação.

O terreno foi doado por Amando de Oliveira, personagem da história política local, que também foi sepultado no espaço em 1914.

A antiga área central passou por transformações urbanísticas e, em 1954, recebeu oficialmente o nome de Praça Ary Coelho, em homenagem ao ex-prefeito da cidade.

Santo Antônio guarda personagens históricos da Capital

Entre os cemitérios públicos de Campo Grande, o Santo Antônio possui especial importância histórica por reunir sepulturas de personalidades ligadas à formação política, social e cultural do município.

Entre os nomes estão José Antônio Pereira, reconhecido como fundador de Campo Grande, e a atriz Glauce Rocha, que alcançou reconhecimento nacional por sua trajetória artística.

Túmulos antigos, esculturas, inscrições e monumentos funerários ajudam a reconstruir diferentes períodos da história local.

A gerente de Cemitérios Públicos Municipais da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Denisy Lima de Oliveira, destaca a importância de preservar esse patrimônio.

“Preservar os cemitérios públicos de Campo Grande é manter viva a memória de quem construiu a história da nossa Capital”, afirma.

Segundo ela, o reconhecimento do Cemitério Santo Antônio como patrimônio histórico, cultural e religioso pode contribuir para a busca de recursos e parcerias voltadas à conservação do espaço, envolvendo também os setores de cultura e turismo.

Expansão urbana levou à criação de novos cemitérios

O crescimento populacional de Campo Grande ao longo do século XX exigiu a ampliação da estrutura municipal destinada aos sepultamentos.

Em 1961, foi criado o Cemitério Santo Amaro, na região oeste da cidade, para atender à crescente demanda.

O Cemitério São Sebastião, popularmente conhecido como Cruzeiro, também surgiu nesse período de expansão dos serviços funerários.

Sua história está relacionada a um projeto inicialmente associado ao nome de São Francisco. Entretanto, a denominação Cruzeiro se consolidou entre os moradores, tornando-se uma referência popular do local.

Os três cemitérios representam diferentes etapas da ocupação territorial e do planejamento urbano de Campo Grande.

Preservação envolve patrimônio e respeito às famílias

Além da função funerária, os cemitérios são espaços de preservação da memória coletiva. Fotografias, capelas, esculturas e inscrições registram costumes, crenças religiosas e diferentes formas de homenagear os mortos.

O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão, ressalta que a conservação desses locais também representa uma forma de reconhecer a contribuição das gerações anteriores.

“Preservar os cemitérios públicos de Campo Grande é valorizar a memória e a história da nossa cidade. Esses espaços guardam lembranças de gerações que contribuíram para a construção da nossa Capital”, destaca.

A administração dos três cemitérios públicos é responsabilidade da Prefeitura, por meio da Sisep, que realiza serviços de manutenção, conservação, organização e atendimento às famílias.

O trabalho também envolve servidores responsáveis pelos procedimentos de sepultamento e pela orientação aos visitantes, atividades que exigem respeito e sensibilidade diante dos momentos de despedida.

Dia de Finados reforça os vínculos entre passado e presente

Celebrado em 2 de novembro, o Dia de Finados movimenta os cemitérios de Campo Grande com a presença de familiares e amigos que prestam homenagens aos entes queridos.

Flores, velas, orações e a limpeza dos túmulos fazem parte de tradições transmitidas entre gerações.

Mais do que locais de sepultamento, os cemitérios Santo Antônio, Santo Amaro e São Sebastião representam capítulos da própria história da cidade.

Da pequena comunidade que surgiu no século XIX à Capital que se expandiu ao longo das décadas, esses espaços testemunham transformações urbanas, culturais e sociais.

Preservá-los significa manter vivas as lembranças de pessoas que participaram da construção de Campo Grande e reconhecer que a história de uma cidade também está registrada nos lugares onde seus moradores descansam.

Da redação Mídia News Campo Grande

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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