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Golpe do sósia usa tecnologia para tentar burlar biometria facial

Nova modalidade identificada pela Serasa Experian procura pessoas fisicamente semelhantes aos criminosos para tentar passar por sistemas de reconhecimento facial

Uma nova modalidade de fraude de identidade está chamando a atenção de especialistas em segurança digital no Brasil. Batizado de “golpe do sósia”, o esquema utiliza ferramentas de comparação facial para localizar pessoas fisicamente semelhantes aos próprios criminosos e, posteriormente, tentar usar a identidade das vítimas em processos de autenticação biométrica.

A estratégia foi identificada pela equipe de inteligência analítica da Serasa Experian e apresentada no Mapa da Fraude referente ao primeiro semestre de 2026. Segundo a empresa, os criminosos podem recorrer a motores de comparação facial para pesquisar imagens em diferentes bases, inclusive bancos de dados obtidos de maneira ilícita.

O método representa uma inversão na lógica tradicional das fraudes de identidade. Normalmente, o criminoso obtém primeiro os dados de uma vítima e depois procura uma maneira de se passar por ela. No golpe do sósia, o processo começa pelo próprio rosto do fraudador.

Criminoso procura uma vítima parecida

A partir de uma fotografia própria, o golpista utiliza sistemas capazes de procurar pessoas com características faciais semelhantes. Segundo a Serasa Experian, essas ferramentas podem encontrar identidades legítimas com índices de similaridade facial de até 99%. Depois de identificar uma pessoa parecida, o criminoso tenta utilizar seus dados para superar mecanismos de validação biométrica.

A fraude pode ser direcionada, por exemplo, a procedimentos digitais envolvendo cadastros, abertura de contas e contratação de serviços.

A descoberta reforça a preocupação de especialistas com o uso da biometria facial como única barreira de segurança. A recomendação é combinar diferentes mecanismos, como validação de documentos, prova de vida, conferência de dados cadastrais, análise do dispositivo utilizado e identificação de padrões suspeitos.

Milhões de tentativas de fraude

Os números apresentados pela Serasa Experian mostram a dimensão do problema. No primeiro semestre de 2026, as tecnologias antifraude da empresa identificaram 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade, crescimento de 32,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Isso corresponde a aproximadamente uma ocorrência de alto risco identificada a cada 5,5 segundos. Segundo a empresa, as fraudes bloqueadas estavam associadas a um prejuízo potencial estimado em R$ 3,77 bilhões.

Como se proteger

Entre as principais recomendações aos consumidores estão evitar o compartilhamento de fotografias de documentos ou selfies segurando documentos em redes sociais e aplicativos de mensagens. Dados biométricos devem ser fornecidos somente em sites e aplicativos oficiais e confiáveis.

Também é importante desconfiar de pedidos inesperados de reconhecimento facial recebidos por links, mensagens, e-mails ou QR Codes, além de proteger celulares e aplicativos com senhas fortes e autenticação em dois fatores.

Outra recomendação é acompanhar regularmente movimentações relacionadas ao CPF e ficar atento à abertura de contas, compras, empréstimos ou contratação de serviços desconhecidos. Caso alguma operação suspeita seja encontrada, o consumidor deve procurar diretamente os canais oficiais da instituição envolvida.

Da redação Mídia News Campo Grande

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