Por que 8,6 milhões de eleitores votaram sem reconhecimento da digital no segundo turno de 2026?
Dados dos boletins de urna apontam que 8.632.488 eleitores com biometria cadastrada utilizaram identificação alternativa; procedimento é previsto pela Justiça Eleitoral e não significa, por si só, irregularidade.

Os boletins de urna do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registraram que 8.632.488 eleitores com biometria cadastrada votaram sem o reconhecimento da impressão digital no segundo turno das eleições de 2026, realizado no domingo (25). O número corresponde a aproximadamente 6,8% do comparecimento nas seções brasileiras, excluindo o exterior.
Em Santa Catarina, foram 357.632 eleitores nessa situação, aproximadamente 7,5% dos que compareceram às urnas. Já em Mato Grosso do Sul, o levantamento aponta 115.545 eleitores, equivalentes a 7,2% do comparecimento estadual.
Por que a identificação biométrica pode falhar?
O reconhecimento da impressão digital pode não funcionar por diferentes motivos, incluindo desgaste das digitais, condições da pele, dificuldades de leitura ou problemas relacionados à qualidade do cadastro biométrico.
Segundo o TSE, quando a digital não é reconhecida, o sistema permite até quatro tentativas. Caso nenhuma delas tenha sucesso, o eleitor pode ser autorizado a votar mediante procedimentos alternativos de identificação.
O mesário confere o documento oficial com fotografia, verifica os dados cadastrais e solicita o ano de nascimento do eleitor. Se as informações coincidirem, a urna pode ser liberada.
Nessas situações, também são exigidos registros adicionais, incluindo a identificação biométrica do mesário responsável e a assinatura do eleitor no caderno de votação.
Número é inferior ao registrado em 2022
O levantamento divulgado aponta uma redução em relação ao segundo turno presidencial de 2022, quando 10.011.347 eleitores com biometria cadastrada foram habilitados sem reconhecimento da digital, representando 8,06% do comparecimento.
Em 2026, foram aproximadamente 1,38 milhão de ocorrências a menos.
A comparação mostra uma redução na frequência desse tipo de habilitação, mas os números, isoladamente, não permitem determinar quais fatores contribuíram para a diferença.
O que os 8,6 milhões de registros indicam?
Os dados demonstram que uma parcela dos eleitores precisou utilizar procedimentos alternativos de identificação, mesmo possuindo cadastro biométrico.
Entretanto, votar sem o reconhecimento da digital não significa votar sem identificação. O procedimento está previsto nas normas eleitorais e permite que cidadãos regularmente inscritos exerçam o direito ao voto.
Também não é possível concluir, apenas com esses números, que ocorreram fraudes ou que os votos beneficiaram determinado candidato.
O sigilo do voto impede identificar em quem votaram os eleitores habilitados pelo procedimento alternativo. Conforme esclarecimento da Justiça Eleitoral, a modalidade de identificação não altera o registro da escolha feita na urna.
Transparência e possibilidade de auditoria
Os boletins de urna são documentos públicos que permitem acompanhar informações sobre o funcionamento das seções eleitorais, incluindo o comparecimento e os procedimentos de habilitação.
A divulgação desses dados permite análises estatísticas, comparações entre eleições e identificação de situações que eventualmente mereçam investigação técnica.
Para verificar possíveis irregularidades, entretanto, seria necessário examinar registros específicos das seções, atas de votação e demais elementos de auditoria, e não apenas o total nacional de eleitores habilitados sem reconhecimento biométrico.
O TSE disponibiliza os arquivos de urna para consulta pública, permitindo que pesquisadores, especialistas e cidadãos examinem os registros eleitorais.
Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina
Da redação Mídia News Campo Grande





