Rota Bioceânica pode transformar Mato Grosso do Sul em grande centro de distribuição de mercadorias no Brasil
Corredor internacional promete ampliar exportações, facilitar importações da Ásia e atrair novos investimentos para o Estado, fortalecendo sua posição estratégica no comércio exterior
A consolidação da Rota Bioceânica poderá transformar Mato Grosso do Sul em um dos principais centros logísticos e de distribuição de mercadorias do Brasil. O projeto, que pretende conectar os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de um corredor rodoviário internacional, abre perspectivas para o crescimento econômico, a atração de investimentos e a expansão das atividades comerciais no Estado.
A avaliação é do secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Alex Melotto, que participou da abertura do I Congresso Aduaneiro da 1ª Região Fiscal, realizado em Campo Grande.
“MS será um grande hub de distribuição no Brasil. É essa a expectativa que nós temos em relação à Rota”, afirmou Melotto, destacando que o corredor poderá beneficiar tanto as exportações brasileiras quanto a entrada de produtos asiáticos destinados ao mercado nacional.
Mato Grosso do Sul ganha posição estratégica no comércio internacional
Com sua localização geográfica privilegiada, Mato Grosso do Sul poderá assumir uma função importante na circulação de mercadorias entre o Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
A proposta do Corredor Bioceânico de Capricórnio é estabelecer uma conexão terrestre mais eficiente entre os mercados sul-americanos e os portos do Oceano Pacífico, criando alternativas logísticas para o transporte de cargas destinadas à Ásia.
Além de favorecer o escoamento da produção agropecuária e industrial, a rota poderá estimular a instalação de centros de distribuição, transportadoras, armazéns e empresas especializadas em comércio exterior.
Esse movimento também poderá ampliar a geração de empregos e fortalecer setores como transporte, armazenagem, tecnologia e prestação de serviços.
Integração aduaneira será fundamental para o funcionamento da rota
Apesar dos avanços na infraestrutura, um dos principais desafios para a consolidação do corredor está na integração dos procedimentos alfandegários entre os países participantes.
Segundo Melotto, será necessário harmonizar regras, simplificar processos e estabelecer mecanismos que garantam maior agilidade na passagem de mercadorias pelas fronteiras.
“Nosso maior desafio é garantir previsibilidade e fluidez. Precisamos criar, entre os países, condições para que as mercadorias circulem com menos interrupções”, ressaltou.
A redução da burocracia e dos períodos de espera nas operações internacionais será determinante para aumentar a competitividade do transporte e atrair empresas interessadas em utilizar o novo corredor comercial.
Ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta representa avanço estratégico
Um dos principais empreendimentos associados à Rota Bioceânica é a ponte internacional que liga Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai.
A estrutura representa uma etapa fundamental para a integração rodoviária entre os países e deverá contribuir para ampliar o fluxo de veículos de carga e mercadorias.
O Governo de Mato Grosso do Sul também mantém um Comitê de Governança responsável por acompanhar questões relacionadas à infraestrutura, educação, comércio exterior e procedimentos aduaneiros.
A iniciativa busca preparar o Estado para receber novos investimentos e aproveitar as oportunidades econômicas decorrentes da implantação do corredor.
Qualificação profissional prepara trabalhadores para novas oportunidades
Outro ponto destacado durante o congresso foi a necessidade de formação de profissionais especializados nas atividades relacionadas ao comércio internacional.
Entre as iniciativas desenvolvidas está a oferta de capacitação na área de comércio exterior pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), no município de Jardim.
A expectativa é que o crescimento das operações logísticas aumente a demanda por profissionais de transporte, administração, fiscalização aduaneira, armazenagem e gestão de cargas.
A preparação da mão de obra será importante para permitir que empresas e trabalhadores sul-mato-grossenses participem diretamente das novas atividades econômicas.
Congresso reúne especialistas para discutir futuro da logística internacional
O I Congresso Aduaneiro da 1ª Região Fiscal reuniu representantes da Receita Federal, especialistas em comércio exterior e gestores públicos para discutir os impactos econômicos e geopolíticos do Corredor Bioceânico de Capricórnio.
Os debates abordaram o estágio de implementação da rota, os desafios regulatórios e a necessidade de cooperação internacional para facilitar a movimentação de mercadorias.
Com a ampliação da infraestrutura e a integração dos procedimentos aduaneiros, Mato Grosso do Sul poderá fortalecer sua participação nas cadeias internacionais de abastecimento.
A perspectiva é que a Rota Bioceânica represente não apenas uma alternativa de transporte, mas também um instrumento de transformação econômica, capaz de consolidar o Estado como importante plataforma de distribuição de mercadorias no território brasileiro.
Da redação Mídia News Campo Grande





