Pentágono coloca PCC e Comando Vermelho na mira ao definir grupos terroristas como ‘alvos legítimos’
Pete Hegseth afirma que organizações designadas como terroristas podem ser alvo dos EUA em operações com governos parceiros; declaração amplia tensão sobre eventual atuação militar na América Latina

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que organizações classificadas pelo governo norte-americano como terroristas podem ser consideradas “alvos legítimos” em operações realizadas pelos Estados Unidos em conjunto com países parceiros. A declaração aumenta a atenção sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), facções brasileiras enquadradas por Washington nessa categoria em 2026.
A fala ocorreu durante viagem de Hegseth à América Central, em meio à ampliação da estratégia norte-americana de combate ao narcotráfico e às organizações criminosas no continente. Questionado sobre possíveis operações conjuntas contra grupos armados colombianos, o chefe do Pentágono respondeu que organizações terroristas formalmente designadas, quando houver cooperação dos governos parceiros, poderão se tornar alvos do governo dos Estados Unidos.
A declaração foi feita principalmente no contexto da Colômbia. Hegseth discutiu a possibilidade de ações conjuntas contra organizações como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e remanescentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O governo colombiano passou a integrar uma coalizão regional liderada por Washington para enfrentar cartéis e redes ligadas ao narcotráfico.
No caso brasileiro, é importante uma ressalva: Hegseth não anunciou diretamente uma operação militar contra o PCC ou o Comando Vermelho na declaração registrada pela Reuters. A associação das duas facções à condição de potenciais “alvos legítimos” decorre da classificação adotada pelos Estados Unidos e da afirmação mais ampla do secretário sobre organizações designadas como terroristas.
A política norte-americana, porém, sinaliza uma escalada. Em outra declaração durante sua passagem pelo Panamá, Hegseth indicou que Washington pretende ampliar para operações terrestres a ofensiva contra organizações ligadas ao narcotráfico. Segundo ele, os Estados Unidos pretendem utilizar capacidades desenvolvidas durante décadas de combate a grupos terroristas em outras regiões.
Brasil e México permanecem fora da coalizão regional liderada pelos Estados Unidos. O enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas também provoca divergências com o governo brasileiro, diante das implicações jurídicas e das preocupações relacionadas à soberania nacional.
Assim, embora não exista anúncio confirmado de uma ação militar dos Estados Unidos em território brasileiro contra as duas facções, a nova doutrina norte-americana coloca organizações classificadas como terroristas sob uma possibilidade mais ampla de atuação de Washington, especialmente quando houver cooperação formal do país envolvido.
Da redação Mídia News





