
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), acusou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de perseguição política por sua atuação como relator de uma investigação da Polícia Federal que alcança pessoas ligadas ao atual governo maranhense. A manifestação ocorreu após Dino tornar públicas, na sexta-feira (14), decisões relacionadas às apurações.
As investigações envolvem suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos, obstrução da Justiça e irregularidades em contratos e emendas parlamentares. Entre os nomes citados estão o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o ex-secretário estadual Raimundo Cutrim e Daniel Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão e sobrinho do governador. Os investigados têm direito à defesa, e as suspeitas ainda dependem de apuração e eventual julgamento.
Brandão sustenta que Dino deveria se declarar impedido de atuar em processos que tenham repercussão direta sobre seu grupo político. Segundo o governador, o ministro tornou-se adversário de seu campo político depois do rompimento entre antigos aliados no Maranhão. Dino governou o Estado antes de Brandão e os dois integraram a mesma chapa eleitoral, mas os grupos se afastaram politicamente nos últimos anos.
Outro ponto levantado pelo governador é a competência do Supremo para analisar fatos envolvendo autoridades estaduais. A assessoria de Brandão afirma que casos relativos a governadores devem ser encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e cita manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre a necessidade de separação de autoridades conforme o foro competente. A presença do senador Weverton Rocha na investigação, porém, é um dos fatores que levaram parte do caso ao STF.
Brandão também questionou o recorte temporal da investigação relacionada ao caso Tech Office. Segundo sua assessoria, fatos anteriores a 2022 deveriam ser considerados, incluindo a reabertura, em 2019, de um processo administrativo na Secretaria de Educação, período em que Dino ainda era governador e Felipe Camarão comandava a pasta.
A investigação da PF aponta, por outro lado, suspeitas de um esquema envolvendo contratos públicos e possíveis tentativas de obstrução das apurações. Em uma das decisões divulgadas, Dino mencionou a existência de um suposto “ecossistema empresarial criminoso” no Maranhão.
A acusação de perseguição política, portanto, é uma posição apresentada por Carlos Brandão e seus aliados e não uma conclusão judicial. O embate ocorre em meio à disputa política pelo comando do Maranhão nas eleições de 2026, aumentando a tensão entre os grupos que anteriormente atuavam juntos no Estado.
Da redação Mídia News





