11 de setembro: após 25 anos, imagens do atentado ainda chocam o mundo
Repetição das cenas pela televisão ajudou a transformar os ataques de 2001 em um trauma de alcance global, avalia especialista

Vinte e cinco anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, as imagens dos aviões atingindo as Torres Gêmeas e do colapso do World Trade Center, em Nova York, continuam entre os registros mais impactantes da história contemporânea. A tragédia, acompanhada praticamente em tempo real pela televisão, marcou uma geração e mudou a forma como grandes acontecimentos passaram a ser acompanhados pelo público.
Quase 3 mil pessoas morreram nos ataques promovidos pela Al Qaeda. Quatro aviões comerciais foram sequestrados: dois atingiram as torres do World Trade Center, um foi lançado contra o Pentágono, na Virgínia, e outro caiu próximo a Shanksville, na Pensilvânia, depois que passageiros reagiram aos sequestradores.
Imagens criaram memória coletiva
Para o professor Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), a transmissão contínua das cenas contribuiu para produzir um trauma em escala mundial. Em 2001, quando as redes sociais ainda não existiam e o acesso à internet era muito mais limitado, a televisão concentrava a atenção de milhões de pessoas simultaneamente.
A repetição do momento em que os aviões atingiram os prédios, das explosões e posteriormente do desabamento das torres fez com que poucos minutos fossem revividos durante horas e dias. Segundo Bucci, essa característica da televisão ao vivo produziu uma espécie de “tempo congelado”, mantendo o espectador conectado continuamente ao acontecimento.
A avaliação encontra respaldo em pesquisas realizadas após os atentados. Estudos científicos identificaram associação entre exposição intensa às imagens televisivas do 11 de setembro e maior ocorrência de sintomas relacionados ao estresse pós-traumático. Uma pesquisa com moradores de Nova York constatou que aqueles que ficaram entre os que mais assistiram às imagens na semana seguinte apresentaram maior probabilidade de provável transtorno de estresse pós-traumático.
Um acontecimento que ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos
O impacto não ficou restrito aos norte-americanos ou às pessoas que presenciaram diretamente os ataques. A transmissão internacional transformou o 11 de setembro em uma experiência coletiva, fazendo com que pessoas a milhares de quilômetros de Nova York acompanhassem a tragédia enquanto ela acontecia.
A dimensão dessa memória permanece evidente 25 anos depois. Nesta semana, cerimônias nos Estados Unidos voltaram a homenagear as vítimas no antigo complexo do World Trade Center, no Pentágono e em Shanksville. Familiares, sobreviventes e autoridades participaram dos atos de lembrança.
O atentado também produziu consequências que ultrapassaram o campo emocional. Os ataques desencadearam profundas mudanças nas políticas de segurança, na aviação e na política externa dos Estados Unidos, além de antecederem as guerras no Afeganistão e no Iraque e uma expansão dos mecanismos de vigilância e combate ao terrorismo.
Um quarto de século depois, o 11 de setembro permanece, assim, não apenas como um acontecimento histórico, mas como um dos primeiros grandes traumas globais da era da informação — registrado por câmeras, transmitido ao vivo e repetido inúmeras vezes diante de milhões de espectadores.
Da redação Midia News Campo Grande

