
O presidente nacional do Solidariedade, deputado federal Paulinho da Força (SP), protocolou no Senado pedidos de impeachment contra três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. As representações foram apresentadas em meio ao agravamento das divergências internas na Corte envolvendo, entre outros temas, o caso Banco Master.
O pedido contra André Mendonça foi protocolado em 24 de setembro. Já as iniciativas envolvendo Kassio Nunes Marques e Luiz Fux foram apresentadas posteriormente. Paulinho sustenta que existem elementos que justificariam a abertura de procedimentos por supostos crimes de responsabilidade. As acusações são alegações do parlamentar e ainda dependem de análise do Senado.
Relação com Alexandre de Moraes
A movimentação chama atenção também pelo contexto da disputa no Supremo. Paulinho da Força mantém interlocução próxima com Alexandre de Moraes e é apontado como um dos parlamentares do Congresso com melhor trânsito junto ao ministro. Durante a discussão do projeto relacionado aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o deputado também manteve diálogo com integrantes da Corte.
Os três ministros alvos das representações têm se posicionado, em episódios recentes, de forma divergente do grupo formado por Moraes e outros integrantes do STF. A existência dessas divergências políticas e jurídicas, entretanto, não demonstra por si só a motivação dos pedidos de impeachment.
Na terça-feira (29), Paulinho também pediu ao ministro Flávio Dino o afastamento de Nunes Marques e Mendonça de ações relacionadas à fiscalização da propaganda eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nunes Marques e Mendonça ocupam, respectivamente, a presidência e a vice-presidência da Corte Eleitoral.
Caso Master aparece nas representações
No pedido contra André Mendonça, Paulinho acusa o ministro de atuação parcial e de direcionamento político-eleitoral. O deputado menciona ainda relações e contatos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao caso Banco Master. Essas afirmações fazem parte da argumentação apresentada pelo parlamentar e não representam conclusão judicial sobre a conduta do ministro.
Em relação a Luiz Fux, a representação cita contatos entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho do ministro, envolvendo processo sobre créditos da Agro Industrial Tabu. Paulinho questiona a participação posterior de Fux no julgamento e sustenta que deveria ser examinada eventual suspeição. Segundo as informações disponíveis, Fux votou contra o pedido relacionado ao caso em junho de 2026, acompanhando decisão unânime.
No caso de Kassio Nunes Marques, o pedido menciona mensagens atribuídas a Vorcaro sobre hospedagens e eventos e também um suposto pagamento de R$ 500 mil a Kevin Marques, advogado e filho do ministro. Novamente, trata-se de alegações incluídas na representação de Paulinho da Força, e não de fatos reconhecidos judicialmente.
Decisão cabe ao Senado
A apresentação de uma denúncia não significa a abertura automática de processo de impeachment. Cabe ao Senado Federal analisar os pedidos contra ministros do Supremo. Eventual afastamento definitivo depende do procedimento constitucional e da aprovação de dois terços dos senadores, ou 54 dos 81 integrantes da Casa.
As novas representações acrescentam mais um capítulo à crise institucional envolvendo integrantes do STF e às disputas relacionadas às investigações do caso Banco Master.
Da redação Midia News Campo Grande





