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Lula diz que “o vento tá levando o ódio” e recebe críticas após tornado em Chapecó

Ex-prefeito João Rodrigues acusa presidente de falta de sensibilidade com vítimas da tragédia em Santa Catarina e afirma que declaração foi um deboche com a população atingida.

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Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma nova polêmica política em Santa Catarina, poucos dias depois de um tornado atingir Chapecó e provocar destruição em diferentes regiões do município. Ao comentar o cenário político catarinense, Lula afirmou que “o vento tá levando o ódio”, frase que gerou críticas do ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues.

A manifestação do presidente ocorreu na noite de quinta-feira (5), durante a chamada “Live da Vitória”, transmitida em seu canal no YouTube, com a participação do deputado federal André Janones. A declaração foi feita um dia depois do tornado que atingiu Chapecó e Xanxerê, no Oeste catarinense.

Declaração de Lula provoca reação

Durante a transmissão, Lula respondia a uma internauta de Santa Catarina que se identificou como integrante da resistência política no estado.

Ao comentar o predomínio de forças conservadoras na política catarinense, o presidente afirmou que o momento seria passageiro e declarou: “É uma fase que tá passando, em que o ódio, o vento tá levando o ódio”.

Lula também lembrou que o Partido dos Trabalhadores já administrou municípios como Chapecó e Criciúma e afirmou acreditar na recuperação do espaço político da esquerda.

A declaração foi feita em um contexto eleitoral, sem referência direta ao tornado. Entretanto, a utilização da palavra “vento”, logo após a tragédia climática, foi interpretada por adversários políticos como uma demonstração de insensibilidade.

João Rodrigues acusa presidente de deboche

Na sexta-feira (6), o ex-prefeito João Rodrigues divulgou um vídeo nas redes sociais criticando a manifestação presidencial.

Na gravação, Rodrigues apresenta imagens aéreas dos estragos provocados pelo tornado, incluindo residências destelhadas e estruturas danificadas, enquanto reproduz o trecho da fala de Lula.

O ex-prefeito afirmou estar profundamente decepcionado com o presidente e considerou inadequada a declaração diante do sofrimento das famílias atingidas.

Rodrigues também cobrou a presença de Lula no município para acompanhar os prejuízos e demonstrar solidariedade às vítimas.

“A sua solidariedade não existe. A sua empatia pelo povo passou depois da eleição”, declarou.

O ex-prefeito acusou ainda o presidente de manter o discurso eleitoral mesmo diante de uma situação de emergência e agradeceu à população brasileira pela solidariedade demonstrada aos moradores de Chapecó.

Tornado deixou destruição no Oeste catarinense

O tornado registrado na quarta-feira (4) provocou prejuízos significativos em Chapecó, incluindo danos ao Aeroporto Serafim Enoss Bertaso, destelhamentos, queda de estruturas e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Rajadas de vento chegaram a aproximadamente 126 quilômetros por hora durante a passagem do fenômeno.

Em diversas localidades, moradores precisaram de auxílio para proteger imóveis e recuperar bens danificados. Equipes municipais e estaduais foram mobilizadas para avaliar os prejuízos e prestar assistência às famílias.

Neste sábado (7), Chapecó e outros 111 municípios do Oeste e Meio-Oeste catarinense permaneceram sob alerta vermelho para tempestades, com possibilidade de ventos superiores a 100 quilômetros por hora, granizo e chuvas intensas.

Polêmica política ocorre em meio à reconstrução

O episódio ampliou o confronto político entre Lula e João Rodrigues, que disputou o governo catarinense nas eleições de outubro.

Enquanto o ex-prefeito considera a declaração uma afronta às vítimas, o contexto da transmissão indica que Lula utilizou a expressão como metáfora sobre a polarização política, e não como comentário explícito sobre o desastre natural.

A controvérsia ocorre enquanto moradores e autoridades trabalham para recuperar os prejuízos causados pelo tornado.

Independentemente das divergências políticas, a prioridade das famílias atingidas continua sendo a assistência emergencial, a recuperação das moradias e a reconstrução das áreas danificadas.

Da redação Mídia News Campo Grande

 

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