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The Economist alerta para risco de crise fiscal após reeleição de Lula e queda do real e do Ibovespa

Revista britânica aponta preocupação com aumento da dívida pública, déficit superior a 9% do PIB e novas despesas anunciadas pelo governo; mercado financeiro registra forte turbulência após as eleições.

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A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições presidenciais de 25 de outubro de 2026, provocou uma forte reação negativa no mercado financeiro brasileiro e reacendeu o debate sobre a sustentabilidade das contas públicas. Em análise publicada após o resultado eleitoral, a revista britânica The Economist advertiu que o Brasil poderá enfrentar uma crise fiscal caso o governo não apresente medidas para controlar despesas e estabilizar a dívida pública.

A publicação destacou que, no primeiro pregão após a eleição, em 26 de outubro, o real sofreu desvalorização próxima de 8% diante do dólar, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrou queda de aproximadamente 14%.

A reação refletiu a preocupação de investidores com a continuidade da política econômica e com os custos das propostas apresentadas por Lula durante a campanha eleitoral.

Déficit público e crescimento da dívida preocupam investidores

Um dos principais pontos levantados pela revista é a situação das contas públicas brasileiras. Segundo os indicadores apresentados na análise, o déficit orçamentário supera 9% do Produto Interno Bruto (PIB), considerando o resultado fiscal que inclui despesas com juros.

A publicação também menciona projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) segundo a qual a dívida pública brasileira poderá alcançar 97% do PIB em 2026, conforme a metodologia utilizada pelo organismo internacional.

Esse cenário aumenta a preocupação com a capacidade do governo de financiar suas despesas sem comprometer a estabilidade econômica.

Outro fator destacado é o custo dos juros. Com uma parcela expressiva do orçamento comprometida com o serviço da dívida, o governo enfrenta dificuldades para ampliar investimentos e financiar novas políticas públicas.

Promessas eleitorais ampliam incertezas

Durante a campanha, Lula defendeu a ampliação de programas sociais, benefícios e medidas destinadas a melhorar a renda das famílias brasileiras.

De acordo com a análise atribuída à The Economist, parte dessas propostas poderá representar despesas adicionais equivalentes a aproximadamente 2% do PIB até 2027.

O principal questionamento está relacionado à origem dos recursos necessários para financiar os compromissos sem provocar uma deterioração adicional das contas públicas.

A revista considera que a ausência de um plano fiscal suficientemente detalhado contribui para aumentar a percepção de risco entre investidores nacionais e estrangeiros.

Queda do real e da Bolsa pode afetar a economia

A turbulência financeira registrada após as eleições não ficou restrita ao mercado de ações.

A valorização do dólar pode encarecer produtos importados, combustíveis, equipamentos e matérias-primas utilizadas pela indústria brasileira.

Ao mesmo tempo, o aumento das expectativas de inflação e do risco fiscal pode dificultar a redução dos juros, afetando o crédito, o consumo das famílias e os investimentos produtivos.

Especialistas também observam que movimentos bruscos do mercado podem refletir expectativas políticas e ajustes de posições financeiras, não representando necessariamente uma previsão definitiva sobre o desempenho futuro da economia.

Revista defende medidas para recuperar a confiança

Entre as medidas discutidas pela publicação estão a escolha de uma equipe econômica com credibilidade, a apresentação de um programa consistente de ajuste fiscal e a revisão de despesas obrigatórias.

A redução de benefícios tributários e o controle do crescimento de determinadas despesas públicas também aparecem entre os caminhos apontados para melhorar o equilíbrio das contas.

A adoção dessas medidas, entretanto, dependerá de negociações políticas e da capacidade do governo de construir apoio no Congresso Nacional.

Governo e aliados apresentam avaliação diferente

Integrantes da base governista contestam a interpretação de que o aumento das despesas sociais seja o principal responsável pelas dificuldades fiscais brasileiras.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) criticou, neste domingo (1º), o que classificou como uma ofensiva contra a política fiscal do governo.

No debate econômico, também há argumentos de que os elevados juros brasileiros representam parcela importante do desequilíbrio das contas públicas e de que investimentos e políticas sociais podem contribuir para estimular a atividade econômica.

Por outro lado, analistas favoráveis a um ajuste fiscal mais rigoroso sustentam que a estabilização da dívida é necessária para reduzir os juros de longo prazo e recuperar a confiança dos investidores.

Desafio será conciliar gastos sociais e estabilidade econômica

A análise da The Economist coloca a política fiscal entre os principais desafios do novo mandato presidencial.

Embora o Brasil disponha de setores competitivos, como agronegócio, mineração e energia, a revista considera que essas vantagens não eliminam os riscos associados ao crescimento persistente da dívida pública.

O comportamento do dólar, dos juros e da Bolsa nos próximos meses dependerá, entre outros fatores, das decisões econômicas anunciadas pelo governo, da conjuntura internacional e das negociações com o Congresso.

O alerta da publicação britânica não significa que uma recessão seja inevitável, mas evidencia a pressão para que o presidente apresente medidas capazes de conciliar seus compromissos sociais com a estabilidade das contas públicas.

Da redação Mídia News Campo Grande

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