
O promotor de Justiça aposentado Odair Tramontin (Novo), eleito deputado estadual por Santa Catarina nas eleições de 2026, provocou repercussão nas redes sociais ao publicar um vídeo em que critica a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Gravada em frente ao galinheiro da propriedade de sua família, no Oeste catarinense, a manifestação classificou a disputa presidencial como “mais suja do que pau de galinheiro”.
A declaração faz referência a supostas irregularidades cometidas pelo governo federal durante o processo eleitoral. Tramontin sustenta que medidas econômicas e sociais anunciadas no período teriam favorecido eleitoralmente o presidente, configurando, em sua avaliação, abuso de poder político e econômico.
Promotor aponta suposto uso da máquina pública
No início da gravação, Tramontin agradece aos eleitores pelos votos que garantiram sua eleição para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Em seguida, passa a questionar a condução da campanha presidencial.
Entre as principais críticas está uma promessa atribuída a Lula de conceder R$ 5 mil aos microempreendedores individuais (MEIs). Segundo Tramontin, o benefício teria sido posteriormente reduzido para R$ 400, situação que ele classifica como possível “estelionato eleitoral”.
O deputado eleito também menciona medidas relacionadas ao fornecimento de gás de cozinha, à isenção de impostos, ao reajuste do Bolsa Família e à antecipação de pagamentos de benefícios sociais.
Na avaliação do político, essas iniciativas teriam sido utilizadas para conquistar apoio eleitoral mediante o emprego de recursos e estruturas governamentais.
“É muita cara de pau, porque eles usaram a máquina pública descaradamente pra ganhar a eleição”, declarou Tramontin durante a gravação.
As acusações representam a interpretação do deputado eleito e dependem de comprovação e análise pela Justiça Eleitoral.
Partido Novo pede cassação de Lula e Alckmin
Durante o vídeo, Tramontin manifesta apoio à ação apresentada pelo Partido Novo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que solicita a cassação da chapa formada pelo presidente Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Segundo a argumentação apresentada pela legenda, o governo federal teria adotado 35 medidas de apelo popular durante o ano eleitoral, incluindo alterações em programas sociais e subsídios aos combustíveis.
O partido sustenta que essas iniciativas podem configurar abuso de poder político e solicita, além da cassação, a declaração de inelegibilidade de Lula e Alckmin por oito anos.
A legislação eleitoral prevê punições para o uso indevido da estrutura pública em benefício de candidaturas. Entretanto, a adoção de políticas públicas durante um ano eleitoral não caracteriza automaticamente uma infração. É necessária a análise das circunstâncias, da legislação aplicável e das provas apresentadas.
Tramontin cobra investigação rigorosa
O deputado eleito afirma que o objetivo da iniciativa do Novo não é questionar a contagem dos votos ou apresentar teorias sobre o funcionamento das urnas eletrônicas.
Segundo ele, a intenção é exigir que a Justiça Eleitoral examine possíveis irregularidades cometidas durante a campanha.
Tramontin também cobra uma investigação rigorosa do TSE e afirma esperar que a legislação seja aplicada independentemente dos envolvidos.
Na parte final da gravação, o político faz referência à renovação do Congresso Nacional e manifesta expectativa de maior fiscalização sobre os atos do governo federal.
Acusações ainda dependem de decisão judicial
A apresentação de uma ação eleitoral não significa que as irregularidades apontadas estejam comprovadas.
Para eventual cassação de mandato ou aplicação de inelegibilidade, a Justiça Eleitoral deverá avaliar os fatos, as provas e os argumentos apresentados pelas partes, assegurando o direito de defesa.
Até o momento, as informações disponíveis sobre o caso não demonstram a existência de decisão definitiva do TSE reconhecendo as acusações formuladas pelo Partido Novo.
O episódio amplia o debate político sobre os limites da atuação governamental durante campanhas eleitorais e sobre os mecanismos legais destinados a garantir igualdade de condições entre os candidatos.
Da redação Mídia News Campo Grande





