BrasilNotícias

Petrobras despenca 14% na semana e registra pior desempenho desde 2021; entenda os motivos

Queda do petróleo, reeleição de Lula e preocupações com a política de preços dos combustíveis pressionam ações da estatal, que perdeu quase R$ 192 bilhões em valor de mercado desde outubro

🎧 Ouça esta notícia

As ações da Petrobras enfrentaram uma forte desvalorização nesta primeira semana de novembro de 2026, acumulando perdas próximas de 14% e registrando o pior desempenho semanal desde fevereiro de 2021. O movimento foi provocado por uma combinação de fatores internacionais, incertezas políticas e preocupações dos investidores com o futuro da política de preços dos combustíveis.

Nesta sexta-feira (6), os papéis da estatal continuaram pressionados na Bolsa de Valores brasileira. A Petrobras figurou entre os principais destaques negativos do Ibovespa, refletindo a deterioração das expectativas em relação ao mercado internacional de petróleo.

Petróleo em queda amplia pressão sobre a estatal

Um dos principais fatores responsáveis pela desvalorização foi a queda expressiva do petróleo Brent, referência internacional utilizada nas negociações da commodity.

A perspectiva de avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã reduziu os temores de interrupção no fornecimento mundial de petróleo, provocando uma correção nas cotações internacionais.

O Brent, que havia alcançado aproximadamente US$ 118 por barril em outubro, recuou para perto de US$ 98, uma desvalorização próxima de 17%.

Como a Petrobras depende significativamente das receitas provenientes da exploração e comercialização de petróleo, a redução das cotações internacionais afeta as projeções de faturamento, lucratividade e distribuição de dividendos.

Reeleição de Lula também influencia comportamento dos investidores

Além do cenário internacional, o resultado das eleições presidenciais brasileiras de outubro contribuiu para aumentar a volatilidade das ações da companhia.

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou uma revisão das expectativas de parte dos investidores, especialmente daqueles que apostavam em uma mudança na condução econômica do país.

Entre as preocupações estão possíveis alterações na política de preços dos combustíveis, ampliação dos investimentos determinados pelo governo e riscos de interferência política nas decisões administrativas da estatal.

Entretanto, a queda não pode ser atribuída exclusivamente ao resultado eleitoral, uma vez que o recuo internacional do petróleo também atingiu outras companhias do setor energético.

Petrobras perde quase R$ 192 bilhões em valor de mercado

A dimensão da desvalorização aparece nos números da companhia.

Em 16 de outubro, a Petrobras havia alcançado um valor de mercado recorde de aproximadamente R$ 819,8 bilhões.

Com a sequência de quedas, esse valor recuou para cerca de R$ 628,2 bilhões, representando uma redução aproximada de R$ 191,6 bilhões.

A perda corresponde a uma diminuição de aproximadamente 23,4% em relação ao valor máximo registrado em outubro.

Apesar da forte correção, a companhia permanece avaliada acima dos R$ 532,2 bilhões registrados antes da escalada do conflito no Oriente Médio.

Pior resultado desde fevereiro de 2021

A última vez que a Petrobras enfrentou uma queda semanal de magnitude semelhante foi em fevereiro de 2021.

Naquele período, as ações perderam mais de 20% de seu valor em meio às declarações do então presidente Jair Bolsonaro sobre possíveis mudanças na política de preços dos combustíveis.

O episódio provocou preocupação com a autonomia administrativa da empresa e desencadeou uma forte reação negativa do mercado financeiro.

Agora, cinco anos depois, o cenário reúne fatores diferentes, mas recoloca em discussão a influência das decisões políticas e das oscilações internacionais sobre o desempenho da maior petrolífera brasileira.

Mercado aguarda balanço financeiro de terça-feira

A atenção dos investidores também está voltada para a divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre de 2026, prevista para terça-feira (10).

As projeções apontam para lucro líquido ajustado de aproximadamente US$ 8,8 bilhões, superior aos US$ 5,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

A expectativa é de que os números permitam avaliar a capacidade da companhia de manter sua geração de caixa, financiar investimentos e distribuir dividendos aos acionistas.

Apesar das perdas recentes, parte dos analistas continua avaliando positivamente os fundamentos operacionais da Petrobras, especialmente diante das perspectivas de aumento da produção e expansão das atividades exploratórias.

O desempenho das próximas semanas dependerá principalmente da trajetória internacional do petróleo, das decisões sobre os preços dos combustíveis e da reação do mercado aos resultados financeiros da companhia.

Da redação Mídia News Campo Grande

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo