
A manifestação ocorreu depois de integrantes da oposição cobrarem o cumprimento de um entendimento firmado anteriormente para que o Senado analisasse a redução da maioridade penal ainda nesta semana.
Adiamento da votação provoca reação da oposição
Alcolumbre anunciou que não colocaria a proposta em votação nesta quarta-feira, atendendo a um pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Segundo o presidente do Senado, Motta argumentou que a Câmara já havia iniciado a discussão e assumiu o compromisso de votar a matéria durante novembro. Depois disso, o texto seria encaminhado aos senadores.
A decisão provocou críticas do líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), que acusou a presidência da Casa de descumprir um acordo estabelecido na terça-feira (3).
Portinho afirmou que o respeito aos compromissos políticos é fundamental para preservar a credibilidade das negociações parlamentares.
A discussão ocorre em meio a divergências sobre o alcance da redução da maioridade penal. A oposição defende a responsabilização criminal a partir dos 16 anos, com possibilidade de redução para 14 anos em determinados crimes graves. Uma proposta apresentada por governistas prevê a redução para 16 anos apenas em casos de crimes hediondos.
Alcolumbre critica ataques pessoais e radicalismo
Após as cobranças, Alcolumbre fez um pronunciamento em que criticou o comportamento de parlamentares que, segundo ele, ultrapassam os limites do debate político e recorrem a ofensas contra autoridades.
O senador afirmou que o ambiente de polarização tem dificultado o diálogo entre diferentes correntes políticas e transformado divergências institucionais em confrontos pessoais.
Também reclamou do uso das redes sociais para divulgar acusações, ameaças e informações que considera falsas.
Na avaliação de Alcolumbre, alguns candidatos conseguiram apoio eleitoral explorando conflitos com instituições, integrantes do Judiciário e a própria presidência do Senado, em vez de apresentar propostas para enfrentar problemas nacionais.
O presidente da Casa mencionou ainda críticas recebidas por não colocar em votação pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Presidente do Senado questiona críticas às urnas eletrônicas
Outro momento do pronunciamento foi dedicado à defesa do sistema eletrônico de votação.
Alcolumbre questionou parlamentares que passaram a contestar a confiabilidade das urnas após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial.
O senador argumentou que o mesmo sistema utilizado na disputa presidencial também garantiu a eleição de deputados federais e senadores ligados à oposição no primeiro turno.
Ao abordar o assunto, destacou que candidatos do partido derrotado na disputa presidencial conquistaram aproximadamente 120 cadeiras na Câmara dos Deputados, além de mais de 20 vagas no Senado.
Para Alcolumbre, existe uma contradição entre aceitar os resultados favoráveis no primeiro turno e questionar a confiabilidade do sistema após o resultado presidencial.
Debate sobre maioridade penal continuará no Congresso
Apesar do confronto político, a discussão sobre a redução da maioridade penal permanece aberta no Congresso Nacional.
A PEC da Segurança Pública foi aprovada pelo Senado sem a inclusão da mudança na idade de responsabilização criminal, permitindo que o tema seja analisado separadamente.
A oposição considera a redução uma medida necessária para ampliar a responsabilização por crimes graves. Já parlamentares contrários à alteração defendem a manutenção das regras atuais e o fortalecimento das políticas de prevenção à criminalidade e recuperação de adolescentes.
Ao encerrar seu pronunciamento, Alcolumbre pediu que os senadores priorizem propostas relacionadas à saúde, educação, infraestrutura e economia, deixando de lado os ataques pessoais.
O episódio evidencia as dificuldades de negociação entre governo e oposição em torno da segurança pública, tema que ganhou destaque durante a campanha eleitoral e continua provocando divergências no Congresso.
Da redação Mídia News Campo Grande




