Flávio Dino acusa imprensa de ‘preconceito regional’ de ‘matriz racista’ após críticas no STF
Ministro afirma que referências à sua origem maranhense ultrapassam o debate sobre sua atuação na Corte e rebate questionamentos sobre citações de Aristóteles feitas durante sessão do Supremo

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu neste domingo (20) às críticas publicadas por veículos de imprensa sobre sua atuação na Corte e afirmou enxergar em parte delas um “preconceito regional” de “matriz racista”. A manifestação foi feita nas redes sociais e também abordou questionamentos sobre referências filosóficas utilizadas pelo magistrado em sessões do tribunal.
Dino afirmou que, desde que chegou ao Supremo, algumas críticas fazem referência à sua origem no Maranhão. Para sustentar sua avaliação, mencionou expressões que, segundo ele, apareceram em textos jornalísticos, entre elas “jurista de província”, “pessoa destituída de qualquer qualificação” e “oratória grandiloquente de província”.
Ministro relaciona críticas à origem regional
Para Dino, algumas dessas manifestações não se limitariam à avaliação de sua atuação como magistrado. Ele afirmou considerar que existe “ódio” relacionado à sua procedência regional e classificou parte das críticas como derivada de um “indisfarçável preconceito regional, de matriz racista”. Trata-se da avaliação expressa pelo próprio ministro, que tem origem no Maranhão.
Uma das expressões mencionadas pelo magistrado, “oratória grandiloquente de província”, apareceu em editorial de O Globo que analisou a atuação de Dino e do ministro Gilmar Mendes durante uma sessão do STF. Outros textos publicados nos últimos dias também questionaram as referências filosóficas empregadas por Dino.
Aristóteles entra no centro da discussão
Parte da controvérsia surgiu após Dino fazer referências a Aristóteles durante sessão do Supremo. As citações foram posteriormente analisadas por jornalistas, juristas e pelo filósofo Luiz Felipe Pondé, que apontou imprecisão em uma das associações feitas pelo ministro, embora tenha considerado algumas referências coerentes.
Ao responder aos questionamentos, Dino afirmou ter estudado a obra de Aristóteles na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), sob orientação do professor Agostinho Ramalho Marques Neto, e posteriormente durante seu mestrado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
O ministro também reconheceu que o exercício de uma função pública o submete ao debate e às críticas. Ressalvou, entretanto, que considera seu dever apontar situações em que entende que determinadas manifestações ultrapassam esse campo e atingem a dignidade ou a decência.
Dino afirmou ainda que continuará utilizando em seus votos e manifestações as referências que considerar pertinentes, incluindo autores da filosofia, da sociologia e elementos da cultura brasileira.
A manifestação amplia o debate sobre os limites entre a crítica pública à atuação de integrantes do Supremo e a avaliação feita pelo próprio ministro sobre referências à sua origem regional. A classificação dessas críticas como preconceituosas ou de “matriz racista” representa a posição expressa por Dino; os textos jornalísticos citados por ele apresentaram críticas à sua atuação e ao conteúdo de suas intervenções no STF.
Da redação Midia News Campo Grande





