
João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da Reag Investimentos, entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de colaboração premiada que tem como um dos principais focos Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material reúne 17 anexos com informações sobre suspeitas de crimes financeiros e operações realizadas por meio de fundos de investimento.
A proposta está em fase de ajustes e ainda não foi formalmente assinada. Caso o acordo seja fechado com a PGR, deverá ser encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso relacionado ao Banco Master, responsável por analisar uma eventual homologação.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, Mansur relata que a Reag prestava serviços ao Banco Master desde 2019, especialmente na estruturação de operações envolvendo fundos de investimento. O empresário sustenta que fundos administrados pela gestora teriam sido utilizados para movimentar recursos desviados do banco, inclusive com suposto uso de laranjas e estruturas offshore. As afirmações fazem parte da proposta de colaboração e ainda precisam ser confrontadas com provas e pelas investigações.
Entre os casos mencionados está o Jaguar Multimarket Fund Ltd., registrado nas Ilhas Cayman, para onde teriam sido enviados R$ 494 milhões pelo Master. De acordo com o relato atribuído a Mansur, embora Benjamim Botelho aparecesse formalmente como beneficiário, Vorcaro seria o verdadeiro controlador dos recursos.
Mansur e Vorcaro chegaram anteriormente a discutir uma colaboração conjunta, quando eram representados pelo mesmo advogado. A iniciativa, entretanto, não prosperou. Segundo as reportagens, investigadores consideraram insuficientes informações apresentadas anteriormente por Vorcaro. Mansur posteriormente passou a negociar sua própria colaboração.
A proposta também prevê, segundo as informações divulgadas, o pagamento de R$ 40 milhões em multas por Mansur. Um dos interesses das autoridades seria utilizar as informações e documentos apresentados pelo empresário para identificar o caminho dos recursos e permitir eventual recuperação de valores relacionados às operações investigadas.
A Reag já apareceu em outras investigações. Mansur foi investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, relacionada ao Banco Master, enquanto a gestora também foi alvo da Operação Carbono Oculto. A empresa acabou liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em janeiro de 2026.
Apesar da entrega dos 17 anexos, a colaboração ainda não pode ser considerada definitivamente fechada. A assinatura do acordo pela PGR e sua eventual homologação pelo STF são etapas necessárias para que a negociação avance formalmente.
Da redação Mídia News Campo Grande





