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Onze anos depois, Dilma volta a falar em “estocar vento” e diz que tecnologia já funciona na China

Em entrevista, ex-presidente explica que declaração feita em 2015 se referia ao armazenamento de energia renovável em baterias, tecnologia atualmente utilizada em escala comercial

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Onze anos depois de uma declaração que ganhou repercussão nacional e se transformou em motivo de piadas nas redes sociais, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) voltou a explicar o significado da expressão “estocar vento”. Segundo ela, a afirmação feita em 2015 se referia à possibilidade de armazenar eletricidade produzida por fontes renováveis, especialmente a energia eólica.

Dilma afirmou que a tecnologia mencionada naquela ocasião já funciona comercialmente em países como a China, onde grandes sistemas de baterias são utilizados para armazenar energia e garantir o abastecimento mesmo quando as condições climáticas não favorecem a geração.

A declaração original ocorreu em setembro de 2015, durante um pronunciamento na Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, a então presidente abordava os desafios da produção de energia limpa e mencionou a necessidade de desenvolver mecanismos para armazenar a eletricidade gerada pelo vento.

A expressão acabou se tornando um dos episódios mais lembrados de seus discursos, sendo frequentemente utilizada por adversários políticos e usuários das redes sociais.

O que Dilma quis dizer com “estocar vento”

A ex-presidente explicou que não estava propondo armazenar fisicamente o vento, mas desenvolver tecnologias capazes de guardar a eletricidade produzida pelas turbinas eólicas.

O processo ocorre quando a força dos ventos movimenta as hélices dos aerogeradores, transformando energia mecânica em eletricidade. Quando a produção supera o consumo imediato, o excedente pode ser armazenado em baterias para utilização posterior.

Dessa maneira, a energia acumulada pode ser disponibilizada durante períodos de menor intensidade dos ventos ou em horários de maior demanda elétrica.

China investe em grandes sistemas de armazenamento

A China está entre os países que mais investem em tecnologias de armazenamento de energia renovável. Grandes instalações utilizam baterias de íons de lítio para acumular eletricidade produzida por parques eólicos e usinas solares.

Esses sistemas permitem maior estabilidade na distribuição de energia, ajudam a reduzir desperdícios e contribuem para diminuir a dependência de fontes convencionais de geração.

O avanço tecnológico também está relacionado à redução dos custos de fabricação das baterias, ao aumento da capacidade de armazenamento e à expansão dos investimentos em infraestrutura energética.

A utilização comercial desses equipamentos demonstra que armazenar eletricidade proveniente do vento é tecnicamente possível, embora ainda existam desafios relacionados aos custos, à duração das baterias e à capacidade de armazenamento por longos períodos.

Tecnologia já existia quando Dilma fez a declaração

Apesar da repercussão provocada pela expressão, o armazenamento de energia elétrica não é uma inovação recente.

Em 2015, quando Dilma utilizou a frase, já existiam tecnologias de armazenamento, incluindo baterias industriais e usinas hidrelétricas reversíveis, capazes de acumular energia para utilização posterior.

Nos últimos anos, entretanto, houve uma expansão significativa dos sistemas de baterias de grande porte, permitindo sua aplicação em projetos comerciais cada vez maiores.

O desenvolvimento dessas soluções é considerado importante para a transição energética mundial, principalmente porque fontes renováveis, como vento e sol, dependem das condições naturais para produzir eletricidade.

Declaração volta a provocar debate

A nova explicação de Dilma reacende a discussão sobre a diferença entre a linguagem utilizada em discursos políticos e os conceitos técnicos empregados pelo setor energético.

Embora a expressão “estocar vento” não seja tecnicamente precisa, a possibilidade de armazenar a eletricidade gerada por turbinas eólicas corresponde a uma aplicação real da engenharia energética.

Atualmente presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira criada pelos países do Brics, Dilma acompanha iniciativas relacionadas ao financiamento de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Onze anos depois, a frase que se tornou motivo de controvérsia política volta ao debate em um cenário no qual o armazenamento de energia renovável já integra projetos comerciais em diferentes partes do mundo.

Da redação Mídia News Campo Grande

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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