PF, PGR e STF concentram maioria das ações contra políticos de direita desde 2023, aponta levantamento
Estudo indica que cerca de 83% dos processos envolvendo parlamentares no Supremo atingem integrantes da direita; especialistas destacam que os números refletem o perfil das investigações em curso, mas não comprovam, por si só, motivação política.

Um levantamento divulgado recentemente sobre processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que a maior parte das investigações e ações envolvendo parlamentares federais tem como alvo políticos identificados com a direita brasileira. Segundo os dados, aproximadamente 83% dos casos públicos analisados na Corte atingem deputados desse campo político desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023.
De acordo com o estudo, o Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, concentra a maior parte das investigações entre os partidos. O levantamento também afirma que cerca de 75% dos procedimentos relacionados a parlamentares envolvem manifestações ou publicações em redes sociais, e que a maioria desses casos também recai sobre integrantes da oposição ao governo federal.
Os autores do levantamento sustentam que os dados revelam uma concentração das atuações da Polícia Federal (PF), da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do STF sobre políticos de direita. O estudo ressalta, entretanto, que considera apenas procedimentos públicos, não abrangendo investigações que tramitam sob sigilo.
A abertura de ações penais perante o STF normalmente depende de denúncia apresentada pela PGR ou de outro órgão legitimado, posteriormente aceita pelos ministros da Corte. Em situações excepcionais, o Supremo também pode instaurar investigações de ofício, como ocorreu no chamado Inquérito das Fake News, instaurado em 2019, que permanece alvo de debates jurídicos sobre sua extensão e duração.
O tema divide especialistas e agentes políticos. Críticos afirmam que há seletividade na atuação das instituições de investigação e controle, enquanto defensores das decisões judiciais argumentam que o maior número de procedimentos decorre da natureza dos fatos investigados, especialmente aqueles relacionados aos atos antidemocráticos, ataques às instituições e aos desdobramentos dos eventos de 8 de janeiro de 2023.
Até o momento, não há decisão judicial ou conclusão oficial que reconheça a existência de perseguição institucional contra determinado espectro político. Da mesma forma, os dados estatísticos, isoladamente, não permitem estabelecer relação de causa e efeito sobre eventual motivação política das investigações, sendo utilizados principalmente para demonstrar a distribuição dos processos em tramitação.
Da redação Mídia News

O percentual citado (cerca de 83%) corresponde a um levantamento divulgado sobre processos públicos envolvendo deputados federais no STF. Contudo, a afirmação de que PF, PGR e STF “miram a direita em massa” representa uma interpretação política dos dados. As estatísticas mostram a distribuição dos casos, mas, por si sós, não comprovam perseguição institucional ou motivação política.




