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TSE abre investigação contra Lula e Alckmin por suspeita de abuso de poder político nas eleições de 2026

Ação apresentada pelo Partido Novo questiona 35 medidas adotadas pelo governo federal durante o ano eleitoral; legenda pede cassação da chapa e inelegibilidade por oito anos

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) admitiu, nesta quinta-feira (5 de novembro), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), reeleitos em outubro de 2026. O processo foi apresentado pelo Partido Novo e investiga suspeitas de abuso de poder político durante a campanha eleitoral.

A decisão foi tomada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que determinou a notificação dos dois investigados para apresentação de defesa no prazo de cinco dias.

O magistrado considerou que a ação reúne os requisitos legais necessários para seguir em tramitação. Entretanto, destacou que a admissão do processo não representa reconhecimento de irregularidades nem julgamento antecipado das acusações.

Novo questiona 35 medidas adotadas pelo governo

A investigação tem como principal fundamento a edição de 35 medidas provisórias e decretos pelo governo federal entre janeiro e outubro de 2026.

Segundo o Partido Novo, essas iniciativas criaram ou ampliaram benefícios sociais e econômicos em um período próximo às eleições presidenciais, o que poderia caracterizar utilização da estrutura administrativa do Estado para favorecer a candidatura à reeleição.

Entre as medidas questionadas estão o reajuste do Bolsa Família, iniciativas de subsídio aos combustíveis, programas de renegociação de dívidas e outras decisões com impacto econômico e social.

A legenda sustenta que 12 das 35 medidas foram adotadas durante o período oficial de campanha eleitoral.

O partido também aponta um impacto financeiro estimado em R$ 73 bilhões para as iniciativas questionadas e menciona a abertura de créditos extraordinários que somariam aproximadamente R$ 99,7 bilhões em 2026.

Esses valores fazem parte dos argumentos apresentados pela legenda e ainda dependem de análise no processo judicial.

Partido pede cassação e inelegibilidade por oito anos

Na ação, o Novo solicita que a Justiça Eleitoral reconheça a ocorrência de abuso de poder político e determine a cassação dos registros ou diplomas dos integrantes da chapa presidencial.

O partido também pede que Lula e Alckmin sejam declarados inelegíveis por oito anos, contados a partir das eleições de 2026.

Para a legenda, a concentração de medidas governamentais de grande alcance social durante o período eleitoral teria provocado desequilíbrio na disputa presidencial.

A acusação deverá ser examinada à luz da legislação eleitoral, que estabelece limites para o uso da administração pública em benefício de candidaturas.

Governo defende continuidade das políticas sociais

Lula já havia defendido publicamente a adoção de medidas sociais durante o período eleitoral, argumentando que a realização das eleições não deveria impedir o governo de executar políticas destinadas à população.

Em manifestações anteriores sobre o Bolsa Família, representantes da campanha presidencial também sustentaram que determinadas alterações correspondiam à atualização de benefícios já existentes, sem necessariamente configurar a criação de novos programas.

A análise judicial deverá considerar tanto os argumentos apresentados pelo Novo quanto as justificativas e documentos encaminhados pelos investigados.

Investigação ainda não representa condenação

Com a admissão da ação, o processo entra na etapa de apresentação das defesas. Após essa fase, o corregedor-geral poderá analisar pedidos de informações a órgãos públicos e outras providências necessárias à apuração dos fatos.

A eventual aplicação de sanções dependerá da produção de provas e de julgamento pela Justiça Eleitoral.

A legislação exige a demonstração da gravidade das circunstâncias para caracterizar abuso de poder político, não sendo suficiente apenas a existência de programas sociais ou medidas econômicas durante o ano eleitoral.

O processo tramita no TSE sob o número 0603194-42.2026.6.00.0000.

A decisão abre uma nova frente judicial envolvendo a chapa presidencial reeleita, mas, até o momento, não há condenação, cassação ou declaração de inelegibilidade decorrente dessa ação.

Da redação Mídia News Campo Grande

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