EUA criaram 15 cenários para preparar país contra ataque nuclear, pandemia e grandes catástrofes
Estratégia de segurança nacional reúne situações extremas, de terrorismo nuclear e biológico a furacões, terremotos e ataques cibernéticos; documentos são ferramentas de preparação, e não previsões de eventos

O governo dos Estados Unidos desenvolveu um conjunto de cenários para preparar autoridades e serviços de emergência diante de algumas das situações mais graves que poderiam atingir o país. Conhecidos como National Planning Scenarios (Cenários de Planejamento Nacional), os documentos contemplam 15 situações hipotéticas, incluindo detonação nuclear, ataques químicos e biológicos, pandemia, terremoto, furacão e ofensiva cibernética.
A existência do programa é verdadeira e está documentada oficialmente. Os cenários foram desenvolvidos pelo Homeland Security Council em parceria com o Departamento de Segurança Interna (DHS), outras agências federais e governos estaduais, locais, tribais e territoriais. O objetivo era estabelecer parâmetros para planejamento, treinamento, exercícios e investimentos destinados à preparação para emergências.
Entre os 15 casos, o primeiro é também um dos mais extremos: a detonação de um dispositivo nuclear improvisado de 10 quilotons em uma grande cidade americana. O cenário considera destruição de edifícios, mortes em massa, feridos, exposição à radiação, contaminação e necessidade de uma gigantesca operação de emergência.
A relação contempla ainda ataque com antraz em aerossol, pandemia de influenza, peste, agentes químicos vesicantes, produtos químicos industriais tóxicos, agentes nervosos e explosão de tanque de cloro.
Também fazem parte do planejamento um grande terremoto, um furacão de elevada intensidade, ataque com dispositivo de dispersão radiológica — popularmente chamado de “bomba suja” —, atentados com explosivos improvisados, contaminação deliberada de alimentos, introdução de doença animal estrangeira e ataque cibernético contra infraestruturas críticas relacionadas à internet.
Planejamento não significa previsão de ataques
Apesar da natureza impressionante dos documentos, os cenários não devem ser interpretados como indicação de que o governo americano tenha informações de que essas 15 catástrofes necessariamente acontecerão.
A legislação federal americana permite o desenvolvimento e a revisão de cenários capazes de representar riscos relacionados a diferentes ameaças, incluindo desastres naturais, terrorismo e outras ocorrências provocadas pelo homem. A finalidade é identificar capacidades necessárias para responder a emergências de grande escala.
O programa ganhou força no contexto da reformulação da segurança interna dos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001. Em 2007, os 15 cenários chegaram a ser reorganizados em oito conjuntos principais para integrar o planejamento de acontecimentos semelhantes.
Na prática, portanto, os National Planning Scenarios funcionam como exercícios de “pior caso”: autoridades partem de uma situação hipotética de grandes proporções para avaliar hospitais, forças de segurança, comunicações, evacuação, logística, abastecimento e capacidade de recuperação.
Da redação Mídia News





