Rogério Marinho vê “cheiro de pizza” no caso Master após perícia apontar 999 arquivos alterados
Senador acusa o sistema de tentar proteger envolvidos no escândalo financeiro; laudo contratado pela defesa de Daniel Vorcaro levanta dúvidas sobre a integridade de provas apreendidas pela Polícia Federal

O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou nesta quinta-feira (29 de outubro) que há “cheiro de pizza no ar” nas investigações envolvendo o Banco Master. A declaração ocorreu após a divulgação de uma perícia particular que identificou registros de alterações em 999 arquivos do celular do empresário Daniel Vorcaro, realizadas em datas posteriores à apreensão do aparelho pela Polícia Federal (PF).
A expressão utilizada pelo parlamentar sugere a possibilidade de que o caso termine sem a responsabilização dos envolvidos. Marinho relacionou as suspeitas ao cenário político após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e acusou o que chamou de “sistema” de atuar para proteger aliados.
Em publicação na rede social X, o senador escreveu que, depois das eleições, estariam tentando livrar determinadas pessoas das consequências das investigações. Ele também questionou se o próximo caso seria o das irregularidades investigadas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As declarações representam uma avaliação política de Marinho e não comprovam a existência de interferência nas investigações.
Perícia aponta alterações em arquivos após apreensão do celular
A controvérsia começou com a divulgação de uma análise técnica contratada pela defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo o levantamento, 657 arquivos apresentaram registros de modificação em 18 de novembro de 2025, quando o aparelho já estava sob custódia da Polícia Federal. Considerando registros posteriores, até maio de 2026, o total chegou a 999 arquivos modificados.
O relatório também identificou 436 arquivos criados no dia seguinte à apreensão, além de registros de conexões USB, ativações da câmera frontal e alterações em bancos de dados, incluindo informações relacionadas ao WhatsApp.
Entretanto, o próprio perito contratado pela defesa ressalvou que os registros não permitem identificar quem realizou as operações nem concluir que houve adulteração intencional. Parte das atividades pode estar relacionada a procedimentos técnicos ou ao funcionamento do aparelho.
A defesa sustenta que a documentação disponibilizada não permite verificar integralmente a autenticidade dos dados e solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso aos arquivos originais da extração.
Polícia Federal indicia Vorcaro e outros 14 investigados
A repercussão política ocorreu um dia depois de a Polícia Federal indiciar Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas no inquérito sobre suspeitas de irregularidades nas operações financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Entre os crimes investigados estão gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, as operações analisadas provocaram perdas da ordem de R$ 2,7 bilhões. Os investigadores apontam Vorcaro como figura central nas decisões que permitiram a realização das transações sob suspeita.
A defesa do empresário contesta as conclusões da investigação e nega que as operações tenham provocado os prejuízos apontados.
Vorcaro permanece preso preventivamente no Distrito Federal.
Questionamentos sobre provas podem provocar nova disputa judicial
O principal argumento apresentado pelos advogados envolve a chamada cadeia de custódia, procedimento que documenta a coleta, a preservação, o armazenamento e o manuseio das provas utilizadas em investigações criminais.
Caso sejam comprovadas irregularidades capazes de comprometer a confiabilidade dos arquivos, a defesa poderá questionar judicialmente sua utilização.
Isso, porém, não significa que todas as provas serão automaticamente anuladas ou que os investigados deixarão de responder pelos crimes apurados.
A eventual validade dos elementos digitais dependerá da análise técnica e das decisões judiciais sobre os questionamentos apresentados.
Declaração amplia pressão política sobre investigação
Ao mencionar um possível encerramento do caso sem punições, Rogério Marinho procura chamar atenção para os desdobramentos políticos e judiciais de uma investigação que envolve operações financeiras bilionárias.
A manifestação também ocorre em meio às discussões sobre a atuação das instituições responsáveis pela apuração de irregularidades no sistema bancário.
Apesar das suspeitas levantadas pela defesa de Vorcaro, não há, nos elementos divulgados, comprovação de adulteração deliberada dos arquivos ou de uma articulação institucional para beneficiar os investigados.
O caso permanece em investigação, enquanto a controvérsia sobre a integridade das provas digitais deverá ser examinada no âmbito judicial.
Da redação Mídia News Campo Grande





