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PT amplia pedidos de apreensão de passaportes contra parlamentares da oposição após eleições

Iniciativas atingem Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato; petistas alegam risco de fuga, enquanto opositores questionam as medidas e denunciam perseguição política

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Integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) apresentaram ou anunciaram, entre os dias 26 e 29 de outubro de 2026, uma série de iniciativas para restringir a saída do Brasil de parlamentares ligados à oposição. Os pedidos envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP).

As movimentações ocorreram após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), e foram justificadas pelos autores com alegações de risco de fuga e possível tentativa de evitar investigações judiciais.

As iniciativas provocaram reações de integrantes da oposição, que questionam os fundamentos apresentados e acusam os adversários de utilizar instrumentos jurídicos para promover perseguição política.

Pedidos começaram após o segundo turno

Na segunda-feira (26), o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) anunciou a intenção de solicitar a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro, derrotado na disputa presidencial.

Na terça-feira (27), o deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT-MG), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido para avaliar a retenção do passaporte de Nikolas Ferreira.

Na quinta-feira (29), o deputado estadual eleito Leonardo Grandini (PT-SP) anunciou uma iniciativa semelhante contra Lucas Pavanato, afirmando ter encaminhado informações à Polícia Federal.

Nos casos de Nikolas e Pavanato, não foram divulgados publicamente elementos concretos que demonstrassem planos de deixar o Brasil para escapar da Justiça.

Nikolas Ferreira reage e acusa adversários de perseguição

O pedido apresentado por Pedro Rousseff menciona um procedimento criminal relacionado a uma suposta injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em 2024.

O parlamentar eleito argumentou que Nikolas poderia tentar deixar o território nacional para evitar eventual responsabilização judicial, relacionando essa possibilidade à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

Nikolas reagiu nas redes sociais, criticou a iniciativa e acusou integrantes da esquerda de perseguirem adversários políticos.

O episódio ampliou o confronto entre representantes do PT e do PL, especialmente nas redes sociais, onde os envolvidos passaram a trocar acusações sobre os limites da atuação política e judicial.

Polícia Federal já havia solicitado medidas contra Flávio Bolsonaro

A situação de Flávio Bolsonaro apresenta diferenças em relação aos outros dois parlamentares.

No domingo (25), a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) medidas cautelares contra o senador, no âmbito da Petição nº 16877/DF, após identificar risco de saída do território nacional.

O ministro Alexandre de Moraes autorizou a apreensão dos passaportes, a proibição de deixar o Brasil e restrições de contato com outros investigados.

Em comunicado divulgado na quarta-feira (28), a Polícia Federal informou que os passaportes brasileiro comum e diplomático do senador haviam sido cancelados e que um alerta migratório fora registrado.

A corporação também esclareceu que a existência dessas restrições, isoladamente, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza automaticamente uma prisão.

Flávio Bolsonaro contesta as medidas e nega irregularidades.

Parlamentares também solicitaram prisão preventiva

Além das iniciativas relacionadas aos passaportes, os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e Ana Elisa Santos (PT-MG) solicitaram a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro.

Os parlamentares também defenderam a inclusão do nome do senador na lista de difusão vermelha da Interpol, caso fosse expedida uma ordem judicial de prisão.

Na quarta-feira (28), o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), pediu à Polícia Federal uma investigação sobre a possível participação de aliados políticos, empresários e outros envolvidos na organização e no financiamento da viagem de Flávio aos Estados Unidos.

As solicitações dependem de análise das autoridades competentes e não representam, por si mesmas, decisões judiciais definitivas.

Apreensão de passaportes exige fundamentação judicial

A legislação brasileira permite a adoção de medidas cautelares que restrinjam a saída de investigados do território nacional.

O artigo 320 do Código de Processo Penal estabelece a possibilidade de proibição de deixar o país, com entrega do passaporte, mediante determinação judicial.

Entretanto, a aplicação dessa medida exige fundamentação relacionada às circunstâncias concretas de cada investigação. A existência de divergências políticas ou de procedimentos investigativos não determina automaticamente a necessidade de apreensão de documentos.

O debate envolve, de um lado, a atuação de autoridades para assegurar o andamento das investigações e, de outro, a preservação das garantias constitucionais, incluindo a liberdade de locomoção e o devido processo legal.

Até o momento, as informações disponíveis distinguem a decisão judicial já adotada contra Flávio Bolsonaro dos pedidos apresentados ou anunciados contra Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, para os quais não foi confirmada medida equivalente.

Da redação Mídia News Campo Grande

Flávio Fontoura

Flávio Fontoura é jornalista, fundador e editor-chefe deste portal, onde assina a maioria das reportagens. utiliza sua expertise no setor audiovisual e sua visão empreendedora para liderar a linha editorial do site, unindo o rigor da informação à dinâmica da produção de conteúdo moderno.

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