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Rogério Marinho afirma que 73% dos presos votaram em Lula e provoca bate-boca no Senado

Durante discussão sobre o aumento do teto de faturamento do MEI, senador fez declaração sobre votos de detentos, gerou reação entre parlamentares e teve o microfone cortado.

Uma declaração do senador Rogério Marinho (PL-RN) provocou um momento de tensão no Senado Federal durante um debate sobre a ampliação do limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs). O parlamentar afirmou que 73% dos presos votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desencadeando uma discussão entre os presentes.

A manifestação ocorreu em meio às discussões sobre mudanças nas regras do Microempreendedor Individual, tema que envolve milhares de pequenos empresários brasileiros. A fala de Marinho deslocou momentaneamente o foco do debate econômico para o cenário político e eleitoral.

Declaração provoca reação no plenário

Ao mencionar o suposto percentual de votos recebidos por Lula entre pessoas privadas de liberdade, Rogério Marinho provocou reações durante a sessão. O episódio terminou com a interrupção de seu microfone, em meio ao desentendimento.

A afirmação de que 73% dos presos teriam votado em Lula, entretanto, exige contextualização. No Brasil, presos provisórios que não tiveram seus direitos políticos suspensos podem votar, enquanto condenados criminalmente por decisão transitada em julgado ficam impedidos de participar das eleições durante o período de suspensão desses direitos.

Por isso, eventuais percentuais obtidos em seções eleitorais instaladas em estabelecimentos prisionais não podem ser automaticamente atribuídos à totalidade da população carcerária brasileira.

Camilo Santana reage e Alcolumbre intervém

O senador Camilo Santana (PT-CE) reagiu à declaração de Marinho, afirmando que seu grupo político não havia condecorado milicianos. A resposta ampliou o confronto verbal entre representantes do governo e da oposição.

Diante da discussão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), interveio para restabelecer a ordem dos trabalhos. Marinho tentou continuar seu pronunciamento, mas teve o microfone desligado.

O episódio evidenciou o acirramento das divergências políticas no Congresso Nacional, especialmente na reta final da campanha presidencial de 2026.

Debate sobre o MEI também envolveu críticas à economia

Antes da discussão, Rogério Marinho havia reconhecido a importância de ampliar o limite de faturamento dos microempreendedores individuais, mas questionou os impactos fiscais da proposta e a capacidade do governo de acomodar novas despesas e renúncias de receitas no Orçamento de 2027.

O senador também criticou a condução da política econômica do governo Lula, associando o crescimento das despesas públicas à manutenção de juros elevados e às dificuldades enfrentadas pelos empreendedores.

O projeto aprovado pelo Senado nesta quinta-feira (15) prevê elevar o teto anual de faturamento do MEI dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A proposta segue para sanção presidencial.

Apesar de o tema principal da sessão envolver medidas econômicas destinadas aos pequenos negócios, o confronto político acabou ganhando destaque pela declaração sobre o voto de pessoas privadas de liberdade.

Até o momento, o percentual de 73% citado por Marinho não foi acompanhado, nas informações consultadas, de dados eleitorais oficiais que permitam confirmar sua abrangência.

Da redação Mídia News Campo Grande

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