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Gilmar Mendes diz que senador eleito com promessa de impeachment de ministro do STF terá ‘imensas dificuldades’

Decano do Supremo afirma que defesa do afastamento de integrantes da Corte tem apelo eleitoral, mas considera difícil transformar a promessa de campanha em medida efetiva no Senado

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (19) que candidatos ao Senado que adotam como bandeira eleitoral o impeachment de integrantes da Corte poderão enfrentar “imensas dificuldades” para concretizar a proposta caso sejam eleitos.

A declaração foi dada durante participação no 5º Fórum Saúde, em Brasília, em meio ao debate sobre a eleição de novos senadores e o crescimento, entre setores da oposição, de candidaturas que defendem o afastamento de ministros do Supremo.

Gilmar Mendes avaliou que a pauta possui apelo junto a uma parcela do eleitorado, mas classificou como um equívoco transformar o impeachment de magistrados em uma das principais bandeiras de campanha.

“Eu acho que é um equívoco, mas é um equívoco compreensível, porque certamente algumas pesquisas indicam que isto tem um apelo eleitoral. Entre o pensamento e a ação, o pensamento e o gesto, vai uma distância enorme”, declarou o ministro. Segundo ele, quem chegar ao Senado defendendo essa proposta terá “imensas dificuldades” para implementá-la.

O debate ganhou espaço na campanha eleitoral de 2026 porque parte dos candidatos ligados à oposição defende mudanças na relação entre o Senado e o Supremo. Entre as propostas apresentadas está justamente a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte.

A Constituição estabelece que cabe ao Senado Federal processar e julgar ministros do STF nos casos de crimes de responsabilidade. A eventual condenação exige o voto de dois terços dos senadores, o equivalente a 54 dos 81 integrantes da Casa.

Questionado sobre a possibilidade de a campanha representar uma ameaça aos próprios ministros, Gilmar Mendes disse não estar preocupado. Para o magistrado, existe uma diferença significativa entre uma bandeira utilizada durante a disputa eleitoral e sua efetiva implementação depois das eleições.

A composição do Senado, portanto, tornou-se um dos pontos centrais da disputa política de 2026. Neste ano, estarão em jogo 54 das 81 cadeiras da Casa, correspondentes a dois terços do total, o que amplia a importância da eleição para o equilíbrio político entre Legislativo, Executivo e Judiciário.

Da redação Mídia News Campo Grande

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