Moraes pediu relatórios da PF sobre Mendonça no mesmo dia em que mensagens de Vorcaro foram tornadas públicas
Ministro determinou envio de documentos da Polícia Federal em 1º de setembro, data em que André Mendonça retirou o sigilo de relatório que revelou mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro

A disputa interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo elemento com a confirmação de que o ministro Alexandre de Moraes determinou à Polícia Federal (PF), no dia 1º de setembro, o envio de relatórios de inteligência envolvendo integrantes da Corte. A ordem ocorreu na mesma data em que o ministro André Mendonça tornou público um relatório policial produzido a partir do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A coincidência temporal aparece no despacho posteriormente encaminhado por Moraes ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Segundo o documento, Moraes determinou ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que remetesse ao Supremo relatórios de inteligência que fizessem referência a ministros da Corte.
A medida foi tomada no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. De acordo com Moraes, havia informações sobre documentos da Polícia Federal relacionados a possíveis atos destinados a direcionar a produção de provas para imputar falsamente crimes a integrantes do Supremo.
Os relatórios encaminhados pela PF passaram a embasar questionamentos sobre a atuação de André Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Relatórios apontam supostas irregularidades
Os documentos da Polícia Federal apresentam alegações de interferência na condução de investigações, participação em tratativas relacionadas a colaboração premiada e possível direcionamento de alvos.
Moraes afirmou identificar “fortes indícios” de possíveis irregularidades e encaminhou o material ao presidente do STF para análise e eventuais providências. As acusações contra Mendonça ainda dependem de apuração e não representam condenação ou reconhecimento definitivo de qualquer crime.
Relatórios obtidos pela imprensa apontam também que a PF teria produzido material paralelo sobre a atuação de Mendonça no caso Banco Master antes de sua incorporação ao procedimento conduzido por Moraes.
Mensagens de Vorcaro foram divulgadas no mesmo dia
Também em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de documentos da Operação Compliance Zero relacionados à análise de um dos celulares apreendidos com Daniel Vorcaro.
O relatório, com mais de 200 páginas, registra mensagens localizadas no aparelho do ex-controlador do Banco Master e referências a um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
A Agência Brasil confirmou naquela data que Mendonça concedeu prazo de cinco dias para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as citações envolvendo Moraes e o procurador-geral Paulo Gonet.
Segundo a TV Brasil, o relatório descreve comunicações atribuídas a Vorcaro e ao contato identificado com o nome de Moraes, incluindo mensagem enviada em novembro de 2025, período próximo à prisão do banqueiro.
Moraes já negou ter recebido determinadas mensagens atribuídas a ele e afirmou que elementos divulgados têm sido utilizados para atacar sua atuação e o Supremo. A identificação dos interlocutores e o alcance jurídico do material permanecem sob discussão.
Crise entre ministros chega à presidência do STF
A sequência dos acontecimentos aprofundou o confronto institucional dentro do Supremo.
Nesta semana, Fachin determinou que Moraes, Mendonça, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues prestem esclarecimentos sobre diferentes aspectos da investigação, incluindo a obtenção, o tratamento e a divulgação de informações relacionadas ao caso Vorcaro.
O presidente do STF deverá agora analisar tanto as acusações formuladas a partir dos relatórios da PF quanto os questionamentos sobre os procedimentos adotados nas investigações do Banco Master.
A proximidade das datas — com a requisição dos relatórios por Moraes e a divulgação do material sobre Vorcaro por Mendonça ocorrendo em 1º de setembro de 2026 — tornou-se mais um ponto central da crise que envolve dois ministros da mais alta Corte do país.
Da redação Mídia News Campo Grande





