
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na noite de quarta-feira (19), no Palácio da Alvorada, em Brasília, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O encontro chamou atenção por ocorrer no momento em que o filho do presidente é alvo de investigações da Polícia Federal.
A reunião não constava na agenda oficial de Lula. Segundo informações divulgadas sobre o encontro, porém, a presença de Marco Aurélio de Carvalho no Alvorada não teria ocorrido exclusivamente na condição de advogado de Lulinha. Ele também participa da articulação da campanha presidencial de Lula em São Paulo, e interlocutores do presidente afirmaram que questões eleitorais estiveram entre os principais assuntos discutidos. Outros aliados paulistas também teriam participado da conversa.
Apesar da pauta eleitoral, o caso envolvendo Lulinha também foi abordado. Segundo informações publicadas após a reunião, Lula reiterou que o filho deve prestar esclarecimentos à Polícia Federal e que não deve receber tratamento diferenciado nas investigações.
O momento do encontro aumenta a repercussão política. Lulinha aparece em três investigações conduzidas pela PF, relacionadas a suspeitas de tráfico de influência e possíveis irregularidades envolvendo sua relação com empresários e intermediários que mantiveram contatos com órgãos públicos. A defesa afirma que ele não participou de irregularidades e vem questionando o que classifica como vazamentos seletivos de informações protegidas por sigilo.
Uma das frentes envolve a empresária Roberta Luchsinger. De acordo com informações atribuídas às investigações da PF, mensagens indicariam que ela alegava atuar em nome de Lulinha em negociações relacionadas a um projeto de medicamentos à base de cannabis medicinal. A defesa do filho do presidente nega envolvimento em atos ilícitos e questiona a autenticidade e o contexto de conteúdos divulgados.
Nesta quinta-feira (20), surgiu ainda um novo movimento jurídico. A defesa de Lulinha avalia pedir ao Supremo Tribunal Federal o levantamento integral do sigilo dos inquéritos, sob o argumento de que a divulgação completa permitiria confrontar informações que atualmente chegam ao público de forma fragmentada.
Também nesta quinta, foi divulgado que a Procuradoria-Geral da República pediu que uma das investigações envolvendo Lulinha deixe o STF e seja encaminhada à primeira instância. O argumento é que não haveria investigado com foro por prerrogativa de função que justificasse a permanência do caso no Supremo. A decisão caberá ao ministro André Mendonça.
Lula já havia declarado publicamente que acredita na versão apresentada pelo filho, mas afirmou que as investigações devem prosseguir e que, caso alguma responsabilidade seja comprovada, Lulinha deverá responder pelos próprios atos.
Assim, até o momento, não há evidência pública de que Lula tenha recebido Marco Aurélio de Carvalho no Alvorada para interferir nos inquéritos. A explicação apresentada por interlocutores é de que a reunião teve caráter político e eleitoral, embora a situação jurídica de Lulinha também tenha sido discutida.
Da redação Mídia News Campo Grande





