
A investigação da Polícia Federal sobre o caso Banco Master revelou que o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, mantinha interlocução direta com o senador Jaques Wagner antes mesmo de episódios que passaram a ser investigados pelas autoridades. Documentos encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que a relação entre ambos era mais próxima do que uma simples troca institucional de informações.
Segundo a PF, mensagens obtidas durante a investigação mostram que Augusto Lima tratava com Wagner de assuntos ligados ao grupo econômico investigado. Em uma das conversas destacadas pelos investigadores, o empresário afirmou ao senador: “Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso”, frase que, segundo a corporação, sugere uma participação relevante do parlamentar nas discussões envolvendo interesses do grupo financeiro.
A nova fase da Operação Compliance Zero resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça. Além de Wagner, Augusto Lima também foi alvo das medidas judiciais. A PF investiga um possível relacionamento ilícito entre executivos ligados ao Banco Master e o senador petista.
Relatórios da investigação apontam ainda que Wagner teria recebido vantagens econômicas consideradas suspeitas, entre elas o uso de aeronaves privadas vinculadas a Augusto Lima, ingressos para shows internacionais e negociações imobiliárias sob análise dos investigadores. A PF sustenta que esses elementos reforçam a proximidade entre o senador e o empresário.
As apurações ganharam maior repercussão devido à ligação política de Wagner com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem é um dos principais aliados no Congresso Nacional. A investigação ocorre em meio ao aprofundamento das apurações sobre o colapso do Banco Master e os supostos esquemas de influência envolvendo agentes públicos e executivos da instituição financeira.
Em nota, Jaques Wagner negou qualquer irregularidade, afirmou que nunca atuou em favor do Banco Master e declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A defesa de Augusto Lima também nega a prática de atos ilícitos e sustenta que as medidas adotadas pela PF são desnecessárias.
Da redação Mídia News

Os fatos relacionados à operação da Polícia Federal, aos mandados autorizados pelo STF e às mensagens citadas nos autos foram reportados por veículos como Reuters e CNN Brasil. As suspeitas investigadas existem, mas não representam condenação ou comprovação definitiva de crime.




